UE-ACTIVA inaugura dois mercados em Gã Mamudo e Nova Sintra

O ano de 2018 começou em festa e muita alegria para os populares das localidades de Gã Mamudo, Setor de Ganadu, Região de Bafatá e de Nova Sintra, Setor de Tite, Região de Quínara. Tudo porque a UE-ACTIVA Eixo 1 inaugurou, em cerimónias separadas, dois mercados comunitários destas localidades, contribuindo para a melhoria dos circuitos comerciais dos produtos agrícolas nesses setores e regiões e, consequentemente, para o desenvolvimento da economia local.

O mercado de Gã Mamudo foi inaugurado no dia 24 de janeiro, sendo o de Nova Sintra inaugurado em 31 do mesmo mês. Ambos os atos contaram com a presença dos financiadores – União Europeia e Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, das autoridades administrativas e tradicionais locais, organizações de desenvolvimento que intervêm na zona, populações beneficiárias, equipa da UE-ACTIVA e RESSAN-GB, tendo as respetivas cerimónias decorrido em ambiente de muita festa e animação cultural.

Os dois mercados, orçados em pouco mais de 50 milhões de francos CFA, são compostos cada por um hangar com capacidade para 50 utentes, seis cacifos e duas latrinas. O de Nova Sintra beneficia ainda de um poço de água.

As obras de construção das duas infra-estruturas foram executadas pela empresa Barrote, escolhida através de um concurso restrito lançado em junho passado e os trabalhos da uma duração pouco mais de três meses.

Falando na cerimónia em Nova Sintra, o administrador do Setor de Tite, Luís Cabá agradeceu à União Europeia, através da UE-ACTIVA pela realização desta importante infraestrutura comunitária de desenvolvimento que, segundo ele, vai colmatar as enormes dificuldades da população no que concerne à comercialização dos seus produtos.

O administrador de Tite disse que o Governo está sempre aberto para receber apoios dos parceiros e sublinhou que o Setor de Tite, senão a região de Quínara em geral, precisam de apoio em todos os sentidos.

Luís Cabá sublinhou que um passo importante foi dado no setor com a construção desta infraestrutura, mas disse que ainda falta muito, sobretudo as vias de acesso que poderão melhorar a operacionalização do mercado.

 

Estrada e vias de acesso

 

Esta é uma preocupação partilhada também pela população. Todas as intervenções, tanto do chefe de tabanca de Nova Sintra, representantes dos jovens e das mulheres e o chefe religioso sublinharam a questão da falta de estradas como fator de bloqueio para o desenvolvimento local.

Todos apelaram ao UE-ACTIVA com vista a virar também o seu apoio para a melhoria das estradas como forma de dar impulso e dinâmica no funcionamento do mercado ora construído, porque um dos grandes obstáculos ao escoamento dos produtos das diferentes localidades é a má condição das estradas de ligação, aliado à falta de meios de transporte.

Reforçando ainda a solicitação da população, o imame de Nova Sintra, que falou em nome dos imames do setor, disse que a construção do referido mercado é uma ação bastante louvável, mas pediu ao financiador no sentido de apoiar para que haja energia no mercado. Isto porque o mercado situa-se numa zona que precisa de iluminação para dar maior segurança à infraestrutura.

Aos utentes do mercado pediu que façam uso racional da infraestrutura e o tornem mais atrativo para os clientes, através da baixa dos preços dos produtos, uma vez que o mercado é, acima de tudo, um espaço para as feiras semanais (lumo) na zona. Pois, o que diferencia um mercado formal de um mercado com características de feira semanal é a baixa de preços dos produtos para permitir que os clientes que vão comprar em grosso ganhem e que os vendedores também ganhem.

Enquanto isso, a representante das mulheres, Mamama Djassi, além de elogiar os mentores desta iniciativa, solicitou igualmente uma linha de crédito para as mulheres como forma de reforçar a ação delas na dinamização do mercado. Disse que sem fundos não podem exercer eficazmente as suas atividades e exortou as mulheres no sentido de abraçarem e cuidar do empreendimento porque os maiores beneficiários são elas. Afirmou que com a construção deste mercado, as mulheres vendedeiras têm mais condições para desenvolver as suas atividades e obter maior rendimento que pode servir para o sustento das despesas de educação, saúde, alimentação dos filhos e da família, reforçando assim o papel emancipativo da mulher no seio das comunidades.

 

Reação da entidade promotora

 

Para a coordenadora da UE-ACTIVA Eixo 1, Leonor Queiroz e Mello, a inauguração destes mercados é um marco relevante no processo de execução do projeto e enquadra-se na implementação dos planos de desenvolvimento agrícola das regiões.

A construção do mercado de Nova Sintra, que se situa no cruzamento que liga São João-Nova Sintra e Enxudé,  irá contribuir para o desenvolvimento agroeconómico das regiões de Quínara e Bolama-Bijagós através da melhoria dos circuitos comerciais dos produtos agrícolas, sublinhou Leonor.

De acordo com a coordenadora da UE-ACTIVA Eixo 1, o mercado ora inaugurado orçou em pouco mais de 26 milhões de francos e compreende um hangar com capacidade de 50 utentes, 6 cacifos, 2 latrinas e 1 poço, à semelhança do construído no Setor de Ganadu.

Respondendo às preocupações levantadas pela comunidade, Leonor Queiroz e Mello disse que a instituição que dirige vai continuar a acompanhar a gestão do mercado e dinamizar os serviços de poupança e crédito rotativo para as mulheres.

Enquanto isso, Davide Danelli, responsável do setor de infraestruturas da União Europeia, em Bissau, disse que é um grande prazer representar aquela entidade no ato de inauguração desta importante infraestrutura. Assegurou que a UE está empenhada e muito interessada em financiar ações de desenvolvimento das comunidades rurais concretas como estas.

Lembrou que as interveções do UE-ACTIVA vão prosseguir até junho de 2019 e que o projeto tem três eixos essenciais, estando  o Eixo 1 a trabalhar no domínio da agricultura e construção de mercados; o Eixo 2 a ocupar-se de reabilitação das pistas rurais e o Eixo 3 na vertente do desenvolvimento rural. Foi no âmbito deste último eixo que se construiu a Escola Agrícola em Buba e se desenvolvem outras ações ligadas ao setor agrícola e hortícola.

Davide Danelli reconheceu que houve atraso na execução de algumas atividades devido a problemas institucionais a nível interno mas que estão a ser ultrapassados, prometendo prosseguir com as ações já delineadas.

De salientar que os mercados recém-inaugurados vão funcionar durante dois meses, a título experimental e gratuito, para os ocupantes e só a partir do terceiro mês começarão a pagar a taxa de exploração como forma de garantir a manutenção e a sustentabilidade dessas infraestruturas.

 

Texto e fotos: Djuldé Djaló

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