Sul-coreana assume gestão provisória da exploração do projeto da pesca de Cacheu

O Ministério das Pescas transferiu provisoriamente a gestão do Projeto de Pesca Artesanal de Cacheu à uma empresa da Correia do Sul, denominada “Sun Fisheries Co, SARL”. A formalização da cedência teve lugar, no dia 2 do mês em curso, na própria instalação localizada na cidade histórica de Cacheu.

A empresa pretende realizar um investimento estimado em dois bilhões, novecentos e trinta milhões, seiscentos e oitenta e cinco mil e quatrocentos e cinco francos CFA.

O montante será revertido na recuperação da infraestrutura, aquisição de equipamentos e formação de quadros técnicos. O projeto deverá criar 300 postos de trabalho, sendo que 30 serão diretos e permanentes.

O objetivo do mesmo visa abastecer o mercado interno, melhorar o nível de vida das populações alvo e contribuir para o desenvolvimento do setor da pesca artesanal.

Dirigindo-se aos presentes, o assessor principal do ministro das Pescas disse que o ato é muito importante para o setor pesqueiro guineense, devido à grandeza do projeto.

Amadu Djaló afirmou que a decisão do Governo em ceder a empresa aos coreanos é uma boa aposta, na medida em que a experiência demonstrou que o Estado nunca foi um bom gestor. Aliás, nunca teve bons resultados.

Djaló admitiu que é por esta razão que se decidiu transferir a exploração aos coreanos, pelo que pediu a todos os implicados e população de Cacheu para apoiarem o projeto e abraçar a iniciativa com duas mãos.

“Tenho plena certeza que, brevemente, a Região de Cacheu lançar-se-á em desenvolvimento, na perspetiva de superar a pobreza. Por isso, posso garantir que se tudo for em conformidade com o previsto, ver-se-á a página da indústria pesqueira nacional virada. Assim como vimos a vontade, coragem e força que se dedicam as mulheres no trabalho, pelo que desejamos que os homens de Cacheu possam mostrar o quanto também valem”, desejou o assessor.

Por sua vez, o diretor-geral da Pesca Artesanal lembrou que os centros pesqueiros artesanais foram criados depois da política de liberalização económica, o que levou o Governo a instalar em diferentes zonas centros desta natureza para que os pescadores pudessem ter condições de conservar pescados, a fim de poder exportá-los para regiões continentais, onde não se praticam atividades pesqueiras.

Segundo Inluta Incom, volvidos alguns tempos, notou-se que a maioria desses centros se encontra em degradação contínua, razão pela qual, na medida em que surgir propostas de pessoas coletivas ou singulares interessadas na sua recuperação avalia-se a proposta e decide-se sobre o mesmo.

“É nesta perspetiva que se decidiu sobre a oferta da companhia Sun Fisheries sobre este projeto de Cacheu. Propuseram-nos a proposta da recuperação das infraestruturas e nós aceitamos, mas com a condição de oferecer o trabalho aos filhos de Cacheu, assim como de outras regiões que vivem em Cacheu”, informou o diretor-geral.

Inluta Incom acrescentou que o projeto cumpriu todos os trâmites legais até à aprovação do orçamento da sua execução, cujas autoridades locais deverão ser informadas do propósito dos investidores.

Por sua vez, o administrador da empresa Sun Fisheries, em poucas palavras, agradeceu o Governo pela decisão tomada em relação à sua empresa para poder trabalhar em prol dos guineenses, numa base de reciprocidade de vantagens.

Han Chang afirmou que o projeto será destinado particularmente ao emprego jovem, pelo que encorajou os guineenses para que tenham confiança na empresa que acabou assim de ver o sonho tornado em realidade.

O sul coreano informou que o projeto pretende solidificar ainda mais a relação de cooperação entre os dois países, disponibilizando participar no processo de desenvolvimento da indústria pesqueira nacional.

Por sua vez, o presidente da Associação de Pescadores de Cacheu agradeceu o Governo pelo esforço demonstrado na recuperação dessa infraestrutura, tendo em conta o estado da precariedade que se encontrava e sacrifícios que os pescadores passavam.

Augusto Djata disse que na altura em que os centros funcionavam em pleno tinham um modo de vida diferente ao atual, por isso pediu aos implicados no processo para não deixarem os pescadores voltarem a esses tempos de instabilidade, mas sim que sejam dadas oportunidades de trabalho.

Texto e foto: Seco Baldé Vieira

Print Friendly
Siga nos nas redes socias:
partilhar isso?

Deixar uma resposta

Todos direitos reservado JORNAL NOPINTCHA 2016