Saúde e FNUAP constroem infraestruturas no sul da Guiné-Bissau

O Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), através da incitativa H4+/SIDA, procederam nos dias 21 e 22 do corrente mês nas regiões de Quínara e Tombali, ao lançamento da primeira pedra para a construção de três infraestruturas, concretamente duas casas das mães e um bloco operatório. Uma casa das mães e um bloco operatório ficam em Buba e uma residência em Catió, bem como a reabilitação de um centro de saúde em Gã-Pará.

Esta iniciativa visa aumentar o acesso das mulheres grávidas a cuidados de saúde, orçado em cerca de 200 milhões de dólares.

As referidas casas de mães vão ter, respetivamente, dois dormitórios com seis camas, duas casas de banho, cozinha, refeitório e um salão multiuso. As obras estão sendo feitas no largo dos hospitais das duas regiões e terão a duração de quatro meses.

A cerimónia foi presidida pela secretária de Estado da Administração Hospitalar, Maria Inácia Mendes Có Sanhá que, na ocasião, afirmou que a construção de infraestruturas importantes ajudará, em grande medida, o sistema de saúde nas regiões acima referidas preenchendo, desta maneira, as lacunas que existiam nessas localidades de difícil acesso.

Conforme esta responsável, a UNFPA constitui um parceiro de desenvolvimento por excelência do Ministério da Saúde e, em geral, do país, porque a construção do bloco operatório possibilita a realização de cirurgias obstétrica e cesariana, permitindo não só reduzir a mortalidade materna infantil mas, também, os custos de deslocação dos doentes para os grandes centros de saúde.

Maria Inácia Có Sanhá disse, ainda, que um conjunto de ações está sendo levado a cabo pelo Governo para a redução da mortalidade das mulheres e dos seus filhos, graças ao apoio dos parceiros da sua instituição, reconhecendo o grande esforço dos técnicos da saúde na reafirmação de um Estado pois, sem eles, não há desenvolvimento para o país.

Por sua vez, a representante do FNUAP, Kourtoum Nacro, reconheceu as condições adversas que as grávidas da região em questão apresentam, porque uma mulher que apresenta gravidez de risco vê reduzidas, muitas vezes, as hipóteses de receber cuidados adequados. Exemplificou que uma mulher fez vários quilómetros por estradas de difícil circulação até chegar a um centro de saúde, tendo-se constatado a necessidade de ser submetida a uma cesariana, sem existência de bloco operatório.

Lembrou a representante do FNUAP que a construção de outras casas das mães existentes no país, ensinaram-lhe que é uma forma de salvar a vida das mulheres durante a gravidez, parto e pós- parto, mostrando que estas casas são estruturas que possibilitam que mulheres com uma gravidez de risco, provenientes de zonas remotas, possam aguardar o parto em segurança.foto-sul-3

“Uma mulher que tenha gravidez de risco necessita de uma vigilância pré-natal constante. O facto de percorrer diversos quilómetros para ter acesso a consultas pré-natais, ao parto assistido por profissionais de saúde e cuidados pós-natais, coloca a vida destas mulheres e dos seus bebes em risco”, esclarece Nacro.

A responsável máxima do FNUAP no país deixou uma palavra de apreço às autoridades das regiões de Tombali e Quínara, no sentido de estarem vigilantes no processo de construção e, no que estiver ao seu alcance, facilitar a concretização da obra.

O secretário regional de Quínara, Mamadu Mané e a secretária de Tombali, Aminata Silá, agradeceram a iniciativa, prometendo estar vigilantes para que a construção da casa das mães seja uma realidade nas suas regiões com tantas necessidades.

Os diretores regionais de Buba e de Catió aproveitaram a ocasião para apresentar a secretária de Estado da Administração Hospitalar, as dificuldades que as suas instituições enfrentam no que se refere à falta de técnicos e de espaços, uma vez que, no Centro de Saúde de Buba, doentes do sexo feminino, masculino e crianças são internadas na mesma sala.

Apelaram, também, à colaboração da população das duas zonas no sentido de trazerem doentes atempadamente para os centros da saúde, contribuindo para a diminuição da taxa de mortalidade que, na maioria das vezes, deve-se à chegada tardia aos centros de prestação de serviços de saúde.

Os anciões, a comunidade muçulmana, católica e a juventude foram unânimes em agradecer o Governo e o FNUAP por este apoio, solicitando a colocação de técnicos para fazer face às necessidades das duas regiões, uma vez que os que lá estão não conseguem responder a todas as solicitações.

Texto e Foto: Elci Pereira Dias    

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