Residência oficial do administrador do setor de Mansoa em ruínas

A cidade de Mansoa fica situada a cerca de 60 quilómetros a norte de Bissau. É a sede do setor com o mesmo nome e faz parte da Região de Oio.

A sua população está estimada em mais de 15 mil habitantes, segundo dados de 2014 fornecidos pela Direção Regional de Saúde. Em cinco anos, a população local quase que duplicou, uma vez que em 2009 se contabilizava em cerca de oito mil indivíduos.

É composta por oito bairros, a saber: Luanda, Areia 2, São Tomé, Acumassé, Praça, Misson, Bairro 15 e Ribada.

Ao setor de Mansoa, à imagem de tantos outros, deparam-se-lhe problemas infraestruturais, quer a nível rodoviário quer no que respeita a edifícios, nomeadamente estatais, em diferentes domínios.

Neste particular, destaca-se a residência oficial do administrador setorial (à qual o atual responsável apelida de residência de lixo), que se encontra totalmente destruída. A guerra de 7 de junho de 1998, que durou 11 meses, deixou as suas marcas no prédio, tendo uma bomba destruído parcialmente esse equipamento. Aos poucos foi-se degradando até chegar no estado em que atualmente se encontra devido à falta de atenção dos sucessivos administradores que ali passaram.

Aquando da nossa passagem por Mansoa, no início de julho, havia um monte de lixo frente ao local que exalava um cheiro nauseabundo que invadia o recinto, situado bem no centro da cidade e que servia de local para muita gente satisfazer certas necessidades biológicas.

Em frente ao local vendem-se produtos alimentares expostos no chão, o que torna a situação ainda mais preocupante, porque isso é causador de problemas a nível de saúde.

Mesmo ali ao lado existe um outro edifício, conhecido como residência oficial do secretário administrativo e onde funcionava o tribunal regional, que também está parcialmente em ruínas e em avançado estado de degradação. Se não for feita uma intervenção com vista a recuperá-lo, certamente que vai pelo mesmo caminho do prédio vizinho. No entanto, o tribunal já tem novas instalações, construídas de raiz pelo governo em parceria com o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Entretanto, o que levou esses prédios, construídos na época colonial, a chegar à situação em que hoje se encontram? A atual administradora do setor, Sábado António Sanca, aponta como motivo principal dessa degradação a falta de meios financeiros que não permitiram que se realizassem trabalhos de manutenção.

Atualmente, devido à falta de residência, a administradora e o secretário administrativo do setor de Mansoa partilham da mesma casa. Esse prédio poderia, provavelmente, se não fosse a intervenção de Sábado Sanca, estar neste momento inabitável.

Não estando a residência oficial em condições de ser habitada, a administradora morava numa casa em frente ao comando local da Polícia. Só que, compreendendo as necessidades de instalação dos serviços da Comissão Regional de Eleições, terá cedido o edifício por empréstimo a esse organismo. Mais tarde, terminado o processo eleitoral e quando quis ter a casa de volta, a situação resultou num problema entre as partes.

Recentemente, a Administração local procedeu à cobertura da residência do secretário administrativo com folhas novas de zinco, retirando todas as telhas que serviam de cobertura da casa.

O seu avançado estado de degradação fazia com que a água das chuvas penetrasse no compartimento que servia de quarto da administradora. O material impermeável utilizado como teto não evitava que o interior da casa ficasse inundado quando chovia. A estrutura em ripas também foi substituída, tendo sido colocadas outras. Mesmo assim, o quarto daquela responsável continua impraticável quando chove.

Aliás, Sábado António Sanca confessa que sempre que a chuva começa a cair, não tem condições para se manter na cama, pelo que fica sentada até que a precipitação termine. Fez questão de levar o repórter do “Nô Pintcha” ao seu quarto para verificar a real situação.

Na verdade, constatámos in loco e confirmámos a realidade da situação ali vivida, até porque, aquando da nossa passagem pelo local, chovia  muito em Mansoa. Pudemos confirmar que o quarto da administradora se transforma “numa autêntica praia”. A varanda também apresenta as mesmas condições. A casa, com as janelas com os vidros todos partidos, permite a penetração da água e não oferece as mínimas condições de segurança.

Cidade desaparecida

 Em entrevista ao “Nô Pintcha”, a administradora afirma que quando se diz que outras cidades estão em estado de coma, Mansoa tende a desaparecer. “Os colonialistas construíram e deixaram edifícios bons e bonitos, mas, com o decorrer dos anos, estão todos parcialmente destruídos ou danificados. A esquadra da Polícia, o mercado, a sede do clube de futebol e outros estão em completo estado de ruína”, lamentou.

Disse que, às vezes, querem fazer algo mas veem-se impedidos de o fazer por falta de meios, numa cidade onde “tudo é prioridade”.

No entanto, Sábado Sanca anunciou a preparação de um projeto para a residência oficial do administrador, mas que o problema reside na dificuldade de encontrar um financiador. Segundo ela, a administração do setor não consegue obter receitas e o orçamento apresentado para a execução de tal obra situa-se na ordem dos 170 milhões de francos CFA.

As principais fontes de receita são os cacifos e a feira popular (lumo), sendo 50 por cento dessa receita a reverter para os cofres da sede regional. A verba restante destina-se ao pagamento de salários aos contratados, às despesas de limpeza e ao subsídio do administrador.

Não havendo receita suficiente para resolver todos esses assuntos, a administradora diz que já não recebe subsídios há mais de 11 meses, porque dá prioridade a outros trabalhos, apontando o exemplo da reparação do Comité de Estado.

Por outro lado, Sábado Armando Sanca disse que, desde que chegou a Mansoa, tem havido um bom relacionamento entre as autoridades locais e a população.

Confirmou a existência de roubo de gado e assaltos a residências privadas, onde os ladrões usam da técnica de perfurar paredes para o efeito.

A disputa de terras é outra coisa que se verifica na zona. Quando acontece, as autoridades tentam reconciliar as partes e fazê-las sentar à mesma mesa para ultrapassar a situação.

Outra preocupação das autoridades setoriais de Mansoa tem a ver com o derrube de árvores grandes, tais como bissilão e faroba para fins ligados a carvão. Nesse sentido, a administradora chamou a atenção às autoridades ligadas à Direção-Geral das Florestas a assumirem as suas responsabilidades.

Ibraima Sori Baldé

 

 

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