Presidente da República reconhece dificuldades no combate aos hábitos instalados

IMG_1247O Presidente da República deslocou-se entre os dias 24 e 26 do mês em curso às regiões de Bafatá, Quínara e Tombali para, em contacto direto com as populações daquelas localidades, auscultar as suas preocupações e anseios. Durante a sua estada nessas localidades, o Chefe de Estado disse sentir-se Presidente de todos os guineenses.

A afirmação de José Mário Vaz deve-se à resposta dada pela população ao seu convite que mobilizou uma enorme multidão que inundou as ruas para o receber em ambiente de euforia, festa e emoção. Todos quantos participaram nos diferentes comícios realizados estavam ansiosos por ver, escutar e apresentar o seu apoio a quem apelidaram de “homem da verdade”. Outros exibiam dísticos e cartazes com dizeres como, dinheiro do Estado nos cofres do Estado; projetos Mon na Lama e Terra Ranka.

O ambiente ali vivido denotava um verdadeiro amor à pátria, em que toda gente estava unida à volta da República da Guiné-Bissau, onde não se ouvia falar de política partidária.

Em todas as localidades em que esteve, o Presidente da República agradeceu às populações por terem respondido de forma calorosa ao seu convite, tendo afirmado que não se deslocou àquela cidade para fazer política mas, sim, manifestar o seu público reconhecimento aos que nele votaram e o elegeram há mais de dois anos para assumir os destinos deste país.

José Mário Vaz afirmou que elegeu para a sua primeira magistratura três grandes desafios, a saber: criação de condições para a estabilidade, paz e unidade entre a família guineense; combate a corrupção e aposta na agricultura.

No que concerne à estabilização do país, o Chefe de Estado disse que ambiciona eliminar paulatinamente as causas que estão na base da separação dos guineenses, fazê-los aproximar-se daquilo que os une.

José Mário Vaz afirmou que o cumprimento dos dois últimos objetivos depende, de forma crucial, da garantia da paz, estabilidade e respeito pela Constituição da República.

Por outro lado, reafirmou que é indispensável garantir a liberdade de expressão a todos os cidadãos porque, segundo ele, a Constituição da República consigna a todos os indivíduos o direito de se manifestar e expressar livremente, desde que não ofenda terceiros. Acrescentou, também, que durante a sua magistratura, felizmente não se registou nenhum assassinato, pelo que pediu aos guineenses para que não tenham medo, pois não deve haver lugar a ódio.

“Devemos preservar intransigentemente a paz e a liberdade conquistadas durante a minha magistratura, pelo que só assim conseguiremos tirar a Guiné-Bissau desta difícil situação em que se encontra”, incitou.

O Comandante em Chefe das Forças Armadas mostrou-se contente pela posição assumida pelos militares guineenses durante esta legislatura, demonstrando que são, efetivamente, Forças Armadas Republicanas, distanciado das querelas políticas e assumindo atitude correta ao respeitarem, desta forma, a Constituição da República.

Sonho em transformar o país

IMG_1147O Presidente da República disse ter o sonho de transformar a Guiné-Bissau num importante país da sub-região. Para tal, disse que conta com a colaboração total da população na realização destes objetivos, que admite estar prestes a concretizar-se.

Nesta perspetiva, José Mário Vaz convidou os guineenses a apostar na agricultura, na medida que ela constitui a base da economia nacional, pelo que o Estado tem a obrigação de adquirir e distribuir tratores e demais instrumentos de lavoura para substituir o trabalho manual que hoje é praticado na Guiné-Bissau.

Por outro lado, mostrou o quanto é impossível afirmar um país de futuro enquanto os governantes não derem atenção especial ao setor da educação, pelo que faz todo o sentido o Executivo colocar esta importante área do saber no topo das prioridades.

Em relação ao setor público, o Presidente da República disse que os políticos habituaram-se, durante mais de 42 anos de existência deste Estado, a trabalhar sem controlo, pelo que a implementação, hoje, do rigor na gestão da coisa pública não é uma tarefa fácil.

José Mário Vaz afirmou que a tentativa de inverter a situação é que constitui o maior desafio que já teve na sua vida, por ter defendido que o dinheiro do Estado deve ser encaminhado para o tesouro público, o que é legítimo.

Porque, segundo o Chefe de Estado, só com a concentração das receitas do Estado nos cofres públicos é que o Governo estará em condições de transformar a sociedade guineense, criando condições para que a juventude possa participar no desenvolvimento do país. Nesta ordem de ideias, constitui um imperativo a participação dos jovens nas decisões de cariz político.

“Uma das minhas maiores preocupações é fazer com que os jovens tenham ocupação e emprego, daí haver necessidade de unirmos esforços com vista a impedir a fuga das receitas públicas”, defendeu José Mário Vaz.

Não coabito com quem não define posição

 O Presidente da República, à semelhança de todas as regiões por onde passou, reuniu-se também em audiências separadas com os líderes religiosos, mulheres, criadores de gado, agricultores e juventude da Região de Quínara.

IMG_1385Na cidade de Buba, José Mário Vaz instruiu, no decurso da audiência que concedeu aos líderes religiosos, a sua diretora de gabinete para brevemente organizar em Bissau um encontro com os representantes da população de Quínara a fim de promover a discussão de assuntos relacionados com a polémica construção da central elétrica de Buba.

Mário Vaz disse não estar em condições, de momento, para tomar quaisquer decisões sobre o projeto, pelo que tem de ouvir os diferentes atores envolvidos no processo. Porém, em relação às cobranças ilegais que são feitas pelos agentes florestais e ambientais, “determino o seu cancelamento imediato”.

O Chefe de Estado disse que ele não coabita com pessoas que não definem a sua posição perante determinados assuntos, ora dizendo uma coisa agora para, no momento seguinte, dizer o seu contrário.

JOMAV, conhecido também pelo “homem do 25”, pediu aos guineenses e, em particular, à população da Região de Quínara para ajudar o Governo a reorganizar o país, porque só com a colaboração de toda a gente será possível mudar o estado das coisas e relançar a Guiné-Bissau no concerto das nações desenvolvidas.

Convidou os beneficiários diretos da estrada Buba/Catió a denunciarem atos criminosos que possam vir a ser praticados contra o sucesso daquelas obras, desde a insuficiência de materiais de construção até à venda clandestina de parte desse material que é desviado.

Por outro lado, anunciou que muitas coisas poderão ser feitas na Região de Quínara, como escolas hospitais e outras mais, mas que tudo dependerá da colaboração da população na fiscalização das obras respeitantes à construção da estrada Buba/Catió.

Disse que os guineenses devem comportar-se como se fossem os olhos, os ouvidos e a boca do Governo, pelo que devem estar vigilantes perante a atuação dos governadores regionais e administradores setoriais que são nomeados.

O Presidente da República apelou à população local a denunciar qualquer comportamento incorreto praticado pelos homens do Estado colocados naquela região, apresentando as suas denúncias junto dos responsáveis máximos do Governo ou, até, no próprio gabinete do Chefe de Estado.

Capitais regionais serão alcatroadas

Em Bafatá, o Presidente da República fez-se acompanhar do Primeiro-Ministro que anunciou o início dos trabalhos preliminares para o alcatroamento das principais avenidas das capitais regionais, cujo projeto de execução já foi aprovado pelo Banco da África Ocidental do Desenvolvimento (BOAD).

IMG_1313Em relação à estrada Buba/Catió, Umaro Muktar Sissoco Embló afirmou que, desde a independência a esta parte, fizeram-se muitas promessas quanto à construção daquele troço que nunca se cumpriram, mas assumiu o compromisso de que com a magistratura de JOMAV a população do Sul conhecerá outra era.

Umaro Embaló prometeu, para breve, instalar um grupo de geradores em Bafatá com capacidade de resposta para as necessidades da população daquela localidade do Leste do país.

Em relação ao pagamento de salários na Função Pública, Sissoco Embaló afirmou que o mesmo é uma obrigação do Estado, para isso deixou garantias de que, a partir de agora, o pagamento será feito a 20 de cada mês.

No que concerne à nomeação dos governadores da Região, disse ter dado orientações ao ministro da Administração Territorial para que proceda à nomeação dos governadores regionais apenas de dirigentes com conhecimentos em matéria de desenvolvimento e não se deixe influenciar por aqueles que procuram satisfazer as clientelas partidárias.

No tocante ao setor da Saúde, o governante prometeu não só a colocação de médicos e enfermeiros na Região de Bafatá, mas também a criação de mais salas de aulas para a formação neste domínio, dependendo da seriedade demonstrada pela juventude local quanto à sua formação.

Por sua vez, o ministro da Administração do Território agradeceu as manifestações positivas dos populares que afluíram em massa e estiveram presentes no encontro com o seu Presidente.

Sola N´Quilim Na Bitchita disse que a Presidência Aberta constitui um desafio bastante claro, de maneira que a assinalável presença deste imenso aglomerado humano prova que o povo conta com  José Mário Vaz para realizar as suas aspirações.

Na Bitchita apelou aos guineenses a unir em torno das questões mais importantes do país, independentemente das diferenças políticas, a fim de estabilizar a Guiné-Bissau.

O coordenador da Presidência Aberta, Botche Candé, mostrou-se satisfeito com a atitude dos populares da Região de Bafatá em desafiar as informações contrárias que visavam descredibilizar a vista do Presidente da República às regiões, propósitos manifestados por muitos políticos.

Regiões queixam-se da ausência do Estado

IMG_0866O imame central da Região de Bafatá, à saída da audiência com o Presidente da República, disse que pediram ao Chefe de Estado que faça uso da sua influência junto dos governantes e políticos para que eles sejam mais contidos na linguagem  que utilizam e perdoem-se mutuamente em nome da Guiné-Bissau e das futuras gerações.

Dirigiu-se, igualmente, aos jornalistas, pedindo-lhes para que sejam mais moderados, evitando a publicitação de discursos incendiários.

Por outro lado, Tcherno Culabiu Bá explicou que abordaram com o Presidente da República a situação de degradação da segunda capital do país, cidade que viu nascer o líder fundador das nacionalidades guineense e cabo-verdiana.

Pediram também a melhoria no fornecimento da eletricidade e água canalizada. Apresentaram um pedido a Jomav e ao Governo liderado por Umaro Sissoco para que baixem os custos na saúde e educação, bem como o apoio aos camponeses que trabalham na época seca.

Finalmente, Culabiu Bá pediu que seja mobilizada junto das autoridades sauditas a abertura de um consulado da Guiné-Bissau naquele país asiático, a fim de permitir aos muçulmanos ter acesso aos vistos de entrada em Meca destinados a peregrinos guineenses.

Por sua vez, o Aladje Sadjo Camará, em nome dos líderes religiosos da Região de Quínara, disse que apresentaram ao Presidente da República uma série de dificuldades que a região está a enfrentar, desde a ausência de um centro de formação para jovens até à inexistência de máquinas agrícolas.

Por outro lado, falou da falta de justiça porque, segundo ele, as decisões dos tribunais não se coadunam com a realidade local, pelo que muita gente é vítima da sua atuação.

Sadjo Camará disse que pediram a José Mário Vaz para que oriente quem de direito a assumir as suas responsabilidades em relação à construção da central elétrica de Buba.

Acrescentou que é o Estado da Guiné-Bissau que compete determinar a sua instalação naquela localidade, para servir as populações da zona Sul, tendo questionado onde estavam estas gentes antes do início do projeto, desde a sua fase embrionária e hoje com toda esse investimento estão a falar do que é passado.

Por sua vez, em nome das mulheres de Quínara, Mariatu Djassi assegurou que manifestaram ao Chefe de Estado a preocupação da polémica à volta da central elétrica a ser construída em Buba.

Djassi disse não permitir que a obra seja interrompida, porque a zona Sul,  em particular a Região de Quínara, não dispõe de luz elétrica, na medida em que estão limitadas na promoção das suas atividades comerciais.

Disse que apresentaram ao Presidente da República preocupações sobre a falta de um hospital regional porque, na sua opinião, a região dispõe apenas de um centro de saúde.

Em seguida, disse terem corroborado do firme propósito de José Mário Vaz de exigir um maior controlo de bens públicos, lembrando que as ONG que atuam nas regiões carecem de uma fiscalização rigorosa, sobre as que fingem conceder créditos às mulheres e jovens.

Finalmente, pediu ao Ministério do Comércio e Promoção Empresarial, através dos seus Serviços de Inspeção, para que seja mantido um controlo apertado sobre os preços praticados na comercialização do arroz porque, neste momento, os comerciantes estão a especular só pelo facto de o Governo ter fixado em 500 francos CFA o quilo da castanha de caju.

Texto e fotos: Seco Baldé Vieira

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