“Mon na Lama” passa de palavras aos atos

Bolanha de 155 hectares pertencente a 190 camponeses

O slogan do Presidente da República “Mon na Lama” passou das palavras aos atos. José Mário Vaz presidiu, no passado dia 8 deste mês, à cerimónia de lançamento de sementes de arroz numa das bolanhas de cerca de 155 hectares da vila de Calequisse, na Região de Cacheu, no quadro de intensificação da produção para a autossuficiência alimentar.

Na cerimónia estiveram presentes o ministro da Agricultura, Florestas e Pecuária, Nicolau dos Santos, representantes residentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) e alguns técnicos agrónomos.

“Falem com o ministro da Agricultura. Da minha parte já basta de palavras e discursos, agora é hora de meter as mãos na lama”, foi esta a resposta do Presidente da República aos jornalistas quando lhe foi solicitado a proferir algumas declarações à imprensa no ato.

A cerimónia de lançamento de sementes não foi apenas um ato agrícola, também serviu para o Chefe de Estado, convidados e toda a comunidade beneficiária praticar uma “marcha desportiva” de cerca de dois quilómetros de distância entre a residência do Presidente e a bolanha.

Depois do pequeno-almoço, vestiu-se a rigor de camponês, com chapéu antissol, de camisola, calças ganga e galocha nos pés, ordenou a marcha até ao local da lavoura, onde centenas de populares locais, entre homens e mulheres, esperavam o Chefe de Estado.

Logo à chegada, José Mário Vaz recebeu instruções técnicas de lançamento de sementes e, juntamente com a comunidade camponesa local, entrou em ação no lançamento de sementes de arroz no terreno lavrado por dois tratores.

No final do lançamento de sementes à terra, o ministro da Agricultura disse que o ato de Calequisse foi simbólico para todas as regiões do país e que o slogan “Mon na Lama” vai intensificar-se na presente campanha agrícola de 2017.

Nicolau dos Santos disse esperar um aumento da produção agrícola, contudo, lamentou a limitação, em número, de tratores existentes.

“Neste momento dispomos apenas de 30 máquinas para toda a população camponesa, o que, de facto, fere-nos a consciência de que não chega. Porém, dá para iniciarmos a mecanização da nossa agricultura”, disse o ministro.

Apesar da insuficiência de tratores para as necessidades, o ministro da Agricultura disse que há uma vontade enorme das populações em levar à prática a mecanização da lavoura a fim de elevar o nível de produção do arroz enquanto base da dieta alimentar guineense.

Nicolau dos Santos disse que, neste momento, o Ministério da Agricultura está empenhado em mudar a filosofia de produção.

“Sabemos que, na Guiné-Bissau, os camponeses fazem a lavoura de forma tradicional, com arados, enxadas e outros instrumentos rudimentares. Mas, agora, estamos a virar essa filosofia, produzindo com a utilização de máquinas, poupando o esforço físico e aguardar por maior rendimento”, disse.

O governante reconheceu que só com a utilização de máquinas é que o país poderá elevar o nível da sua produtividade, ou seja, atingir a tão almejada segurança alimentar.

O ministro afirmou, após o ato acabado de realizar pelo Presidente Jomav, que é simbólico para todas regiões, pois diz o ministro, “as máquinas foram disponibilizadas para  trabalhar nas bolanhas. Portanto, pensamos que se houver chuvas suficientes, vamos conseguir um bom resultado”.

Ministro da Agricultura em declarações à imprensa

O governante justificou a presença dos parceiros internacionais no evento pelo facto de a Guiné-Bissau não ter condições de autofinanciar a mecanização da sua agricultura.

“Para substituirmos a agricultura tradicional pela moderna é necessária a aquisição de máquinas, mas todos sabemos que elas são muito caras e o país não está em condições de adquirir grande quantidade com fundos próprios.

Questionado até quando o país poderá atingir a autossuficiência alimentar, Nicolau dos Santos estimou um período temporal de cinco anos para darmos de comer a nós mesmos, isto é, se a mecanização da agricultura se tornar uma evidência na Guiné-Bissau.

O diretor executivo da Cooperativa Mon Na Lama, Alberto Sanca, forneceu dados estatísticos segundo os quais, a referida bolanha tem uma superfície de 155 hectares e  congrega cerca de 190 agricultores que, no final da colheita, cada um irá beneficiar da produção na percentagem de 0,9 por hectare.

Sanca espera um rendimento de cinco toneladas por hectare se a preparação da terra continuar com o ritmo inicial e a utilização de sementes melhoradas e fertilizantes.

Texto e fotos: Aliu Baldé

 

 

 

 

 

 

 

Print Friendly
Siga nos nas redes socias:
partilhar isso?

Deixar uma resposta

Todos direitos reservado JORNAL NOPINTCHA 2016