Jornalistas capacitados em matéria de indústrias extrativas

Mais de 20 jornalistas de diferentes órgãos estiveram reunidos em Bissau, de 15 a 16 deste mês, numa ação de formação sobre as indústrias extrativas, no quadro do projeto “Promoção de boas práticas sociais e ambientais nos setores de petróleo e minas”.

O encontro, financiado pela Swissaid, visava informar, formar e sensibilizar os homens da imprensa sobre os principais recursos mineiros existentes no país, as políticas públicas e da necessidade da conciliação da exploração com as práticas de Boa Governação (transparência) na preservação do meio ambiente e da biodiversidade.

Fazer com que os jornalistas conheçam as instituições, os domínios das suas competências, os seus responsáveis, para que melhor possam explorar as fontes de informação para a preparação de programas e reportagens sobre a matéria foi outros dos objetivos do ateliê.

Durante dois dias, os participantes foram dados a conhecer sobre: “Grupo de Trabalho sobre Petróleo e outras Indústrias (GTP-IE)”, “Políticas, estratégias e perspetivas para o setor de minas”, “Interface entre a exploração mineira e a conservação da biodiversidade nas diferentes áreas protegidas”, “Bauxite Boé: conceito, avanços e perspetivas da empresa Bauxite-Angola na exploração do minério”, “Fosfato de Farim: análise e perspetivas. O papel da comunidade no projeto”, “Coligação publicar o que você paga: o estado de avanço e perspetivas do MNSC”, “A missão da UICN 2017-2020 e domínios de programa”, “Visão da Swissaid na GB: estratégia global (2012-2017)”, entre outros temas.

Falando na abertura dos trabalhos, o representante da União Internacional para a Conservação da Natureza exortou os jornalistas a investigarem para terem o máximo de informações possíveis sobre o setor minério e outras indústrias extrativas (IE), nomeadamente dos seus impactos positivos e negativos para fazê-las chegar ao público.

A título de exemplo, Nelson Dias apontou que, anualmente, passam mais de 800 tanques de petróleo nas águas guineenses, saindo do sul. “Imagem, se houver derramamento ao largo dos Bijagós, qual será o efeito da maré? Até onde pode chegar a maré negra se os tarrafes vão até 150 quilómetros”, exemplificou.

Chamou a atenção sobre o jornalismo de sensação que, segundo ele, ao invés de informar cria problemas na sociedade, porque “quando se fala de petróleo e outras IE, que são finitas, pensa-se logo nos países de golfo (como Dubai), com grandes prédios e infraestruturas”.

No entanto, esclareceu que tanto a sua instituição quanto o Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas, concordam com a exploração dos recursos naturais, usando “boas práticas e tecnologias adequadas a isso”. Ele prometeu lutas e lobbies contra “as tecnologias obsoletas” na exploração das IE na Guiné-Bissau.

Entretanto, indicou que o projeto “Promoção de boas práticas sociais e ambientais nos setores de petróleo e minas” é um dos programas mais importantes do país, não pelo seu tamanho de financiamento, mas sim pela sua temática e consistência de financiamento.

Este responsável da UICN afirmou que o país está numa fase de sonhar, baseando no conhecimento e no saber que as IE terão espaço para financiar desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.

E é daí que destacou o papel fundamental que os jornalistas têm para explicar sobre as indústrias extrativas no solo guineense.

O Grupo de Trabalho sobre Petróleo e outras Indústrias Extrativas é constituído por 12 instituições públicas e organizações da sociedade civil e foi criado em 2005. Os seus membros participam de uma forma voluntária, transmitindo as suas experiências e competências sobre a mineração, a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade e o desenvolvimento durável.

O seu objetivo é de contribuir na tomada de consciência popular sobre as perspectivas e a difusão das boas práticas de exploração mineira e do petróleo, bem como o seu equilíbrio em relação ao meio ambiente e a conservação da biodiversidade e nas melhorias das condições de vida das populações na base de um desenvolvimento durável.

Ibraima Sori Baldé

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