Insuficiência de técnicos e falta de cirurgião constituem grandes preocupações no hospital de Mansoa

A insuficiência de técnicos em relação à procura; a falta de um cirurgião geral, a situação do banco de sangue que não funciona há mais de um ano são, neste momento, as principais preocupações dos responsáveis do Hospital Regional de Mansoa.

Outra dor de cabeça tem a ver com a falta de vedação do recinto hospitalar, onde se vê cabras e outros animais a passearem no seu interior. Isso, segundo Alfadjo Gomes Ianga, administrador do hospital, demonstra a falta de segurança e a limitação do mesmo, até porque os guardas (noturno e diurno) não podem controlar tudo, havendo furos um pouco por todo o lado.

Existem ainda problemas com o gerador, que tem capacidade de 10 kilowatts (kW) e que não consegue suportar todo o hospital, levando a que se faça uma certa gestão, conforme a prioridade dos serviços. Ou seja, quando há necessidade num dos serviços, muitos outros ficam sem energia, até terminar os trabalhos nessa área.

O facto de o hospital regional funcionar sem nenhum parceiro, dependendo apenas de si e do governo através do Ministério da Saúde, constitui outro problema naquela instituição. Por isso, garante Alfadjo Gomes Ianga que, neste momento, a administração está a trabalhar com a Direção Regional de Saúde de Oio com vista a encontrar parceiros para atenuar certas dificuldades.

Relativamente aos problemas do banco de sangue, que não funciona há mais de um ano, este responsável diz que se está a trabalhar para tentar reativar aquele serviço, o que permitiria contornar o problema. Deu conta que é o próprio aparelho de conservação de sangue que se encontra avariado.

“Como se sabe, o sangue também tem vida. Passando  21 dias não pode ser utilizado, porque estraga. Por isso, tem de ser bem conservado para que quem precise possa receber sangue de boa qualidade para que tenha efeitos desejados”, referiu.

O administrador garante ainda que todos os variadíssimos serviços existentes no hospital estão muito ativos e não lhes  tem faltado pacientes para prestar assistência. Apesar de o número de técnicos ser insuficiente, comparativamente com o total da população alvo (265.078 habitantes), estes não têm poupado esforços em sacrificar-se para atender os pacientes.

O fornecimento de medicamentos de casos específicos é assegurado pelo respetivo programa. Para Alfadjo Ianga, isso demonstra que a instituição está minimamente organizada a nível do sistema sanitário.

A consulta diária está, em média, na ordem de mais de 80 pessoas, sem contar com as grávidas e crianças, nem o Banco Socorro, que funciona 24/24 horas. O número mínimo de partos diário é de quatro, havendo alturas em que se registam 10 num só dia.

De acordo com o nosso entrevistado, a maior dor de cabeça é sentida nos Serviços de Maternidade e Pediatria, existindo, neste momento, casos sérios de tuberculose no Centro de Tratamento Antiretroviral (CTA), com sérios problemas.

No que respeita à falta de um médico de cirurgia geral, diz que terá de procurar, nem que seja de forma temporária, visto existirem muitos casos. “No hospital existe um bloco operatório equipado, com todas as condições para o seu funcionamento, mas não há médico para realizar intervenções cirúrgicas em hérnia e outras patologias. Faz muita falta.”

O hospital de Mansoa é procurado por pacientes vindos de diferentes regiões do país, incluindo de Bissau, o que demonstra que “a saúde não tem fronteira e o doente vai onde o seu problema possa ser resolvido”. O administrador afirma que isso tem a ver com a forma como os doentes são tratados e transmitem esse tratamento aos conhecidos que vierem a ter os mesmos problemas.

Os principais casos que se verificam no hospital são o paludismo e a infeção respiratória. Nas grávidas, conforme a nossa fonte, há mais problemas de anemia, chegando mesmo algumas com hemoglobina 5, obrigando a evacuação para Bissau.

Situação dos contratados

O hospital conta com alguns funcionários que trabalham como contratados internos, tais como pessoal de limpeza, eletricista, motoristas, da área de logística, entre outros.

Havendo insuficiência de enfermeiras, recorreu-se a duas que já lá tinham passado como estagiárias, “muito ativas”, para ajudar sobretudo nesta época das chuvas, em que se verifica o surgimento de problemas de saúde de vária ordem. A razão de procurar esse auxílio prende-se com o facto de aquilo que os responsáveis do centro receiam é não conseguirem prestar assistência a utentes que procuram os cuidados médicos  sem que tenham meios para lhes dispensar um “atendimento condigno”.

Enquanto ficam à espera do Ministério da Saúde para afetar novos técnicos naquela unidade de saúde, a direção do hospital vai, paulatinamente, avançar com certos trabalhos.

No entanto, todos os contratados são remunerados com os recursos internos do hospital. E, segundo informações apuradas, atualmente não há atraso no pagamento de salário, pois tudo está em dia.

“Há coisas com que não se pode brincar. Quando um estabelecimento hospitalar deixa de ter condições de pagar ao seu pessoal de limpeza, deixa de existir como um hospital, por mais médicos e enfermeiros que tenha. Por isso mesmo, preocupamo-nos muito com o bem-estar dos nossos funcionários”, confidenciou o administrador.

Agradecimentos

Em nome da direção do hospital, Alfadjo Gomes Ianga agradeceu a todas as pessoas de boa vontade que têm apoiado a instituição. A pintura do centro e a reparação da ambulância foram conseguidas graças ao apoio dessas pessoas.

Por outro lado, falou sobre a receção de ajudas provenientes de certas ONG, bem como da fundação criada pela primeira-dama, Maria Rosa Vaz, como tem sido desde a construção do hospital. Considera que a vontade dessas pessoas contribuiu bastante para tapar buracos na instituição. E pede mais apoios, não fechando a porta a nenhum apoio, por mais pequeno que ele seja, porque “apoiar não significa ter muito”. Uma resma de papel, um conselho, por exemplo, podem constituir um apoio!

Por outro lado, deixou bem claro que eles são funcionários e o hospital não é propriedade sua, mas sim de todos, particularmente os habitantes da Região de Oio. Adianta que a população pode dar a sua contribuição através de críticas construtivas e sugestões para a melhoria do funcionamento deste estabelecimento. Ianga declara que estar num serviço não significa ter conhecimento de tudo o que ali acontece, até porque, muitas vezes, alguém de fora é capaz de conhecer outros pormenores, importantes, que escapa aos responsáveis por aquela casa de saúde.

Acerca do hospital

O Hospital Regional de Mansoa foi construído em 2003, com o apoio da cooperação francesa. Tem capacidade de 92 camas para todos os serviços, das quais 88 destinam-se a internamento.

Conta com um total de 40 funcionários, dos quais cinco médicos, cinco enfermeiros (superiores e especialistas), dois enfermeiros auxiliares, uma parteira, dois técnicos de laboratório, um de raios X, de farmácia (e seu auxiliar). Os restantes trabalhadores pertencem a secretaria e serviços não ligados diretamente a medicina.

O estabelecimento hospitalar dispõe de vários serviços, cujos principais áreas podemos destacar: Banco de Socorros, Pediatria, Maternidade, Medicina, CTA, enfermaria de doentes com tuberculose, o depósito de materiais hospitalares, a farmácia, RX, laboratório de análises, ecografia abdominal (independentemente aquelas realizadas às grávidas). O hospital dá cobertura a uma população alvo de aproximadamente 265 mil habitantes.

Texto e fotos: Ibraima Sori Baldé

 

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