Inédita concorrência eleva o preço de caju a mil francos cfa ao produtor

O inédito preço da castanha de caju ao produtor (mil francos cfa) que se pratica neste momento no setor de Sonaco, leste do país e quase em todo o território nacional, pode melhorar o custo de vida dos agregados familiares por constatar a enorme alegria e proveito no rosto dos produtores.

Em Sonaco, o Nô Pintcha foi constatar a realidade do circuito de comercialização deste produto estratégico da economia nacional que bateu dois recordes: primeiro, pelo preço mínimo fixado em 500 francos cfa logo no início e, o segundo sucesso tem a ver com o preço da concorrência que já atingiu os mil francos cfa nunca antes verificado.

Apesar das opiniões unânimes de que há uma ligeira queda do produto em termos da sua quantidade comparativamente ao ano anterior, há produtores que consideram a presente época agrícola como “ano dos agricultores”.

Em Sonaco, o produtor Tcherno Alimo Djaló, de mais de 70 anos de idade, é da opinião que, doravante, os lavradores já têm um “caminho aberto” para a valorização das suas culturas, principalmente a castanha de caju, pois, não acredita se nos próximos tempos haverá preço indicativo inferior ao deste ano (500 francos).

“O preço praticado noutros países é perfeitamente praticável na Guiné-Bissau, pois, o mercado internacional é o único onde os destinos da castanha são os mesmos e têm valor de compra e até a castanha da Guiné é das melhores”, afirmou Alimo Djaló.

Na opinião de Djaló, no circuito comercial de caju os intermediários e os exportadores não devem ganhar mais do que os lavradores, justificando que enquanto persiste a agricultura tradicional, toda a subsistência alimentar é depositada nas campanhas anuais de caju. Se correr mal, sofremos a fome e se for bem sucedida a família toda é que beneficia”.

Por seu turno, o produtor Caetano Fernando Barbosa (vulgo Papa) assegurou que este ano, pelo preço que se pratica ao lavrador, muitas famílias não vão passar as situações de fome que têm passado nos meados de agosto, setembro e outubro.

“Toda a família está envolvida na campanha. Diariamente, depois de tomarmos o pequeno-almoço, eu, a esposa e os filhos pegamos nos baldes, fechamos as portas da casa e vamos para debaixo dos nossos cajueiros a fim de fazer a recolha, pois o preço é estimulante. Até as crianças com menos 10 anos andam com moedinhas nos bolsos”, explicou Papa.

Sobre a fuga da castanha para os países vizinhos, Caetano Fernando Barbosa disse que o controlo rigoroso das fronteiras é sempre bem-vindo mas para ele a medida seria injusta e até contra os produtores nacionais se o preço praticado internamente for péssimo.

“Entretanto, com o rendimento deste ano, vamos poder diversificar um pouco as culturas, cultivando também o arroz e mancarra”, observou Barbosa.

Barbosa defendeu a iniciativa do Governo, chumbada pelo Presidente da República, a qual vedava os exportadores estrangeiros comprarem castanha de caju junto dos produtores mas considerou que a medida só pode ter sucesso se os operadores nacionais tiverem capital suficiente para substituir os sazonais “estranhos”.

“Esta campanha vai terminar dentro de dois meses e teremos quase um ano inteiro para acertarmos as estratégias a adoptar na próxima época, portanto, não vejo razões de nos desentendermos quanto às políticas ao ponto de provocar choques de relacionamento”, aconselhou.

Um outro produtor que se mostrou satisfeito com o preço chama-se Alexandre Nunes N’canha.

O Nô Pintcha encontrou a família N’canha em plena ação de recolha. Enquanto as crianças apanham o produto no chão, Alexandre Nunes e a esposa Odete Cudun ficam sentados para fazer a separação entre a fruta do caju da castanha.

Pela predominância da religião muçulmana na localidade de Sonaco a fruta do caju não é aproveitado para se transformar manualmente em sumo ou vinho de caju tal noutras zonas, pois o poder do consumo é praticamente inexistente.

No final de cada dia de trabalho, todos os que se envolverem na recolha são recompensados conforme o rendimento de cada um. Uma criança de idade entre oito a 10 anos consegue ganhar entre 500 gramas a 1.000 gramas, ou seja, entre 500 a 1.000 francos CFA por dia.

O jovem N’canha, que diz ter herdado a horta do pai, espera fazer ainda este ano a cobertura da sua casa com zinco, erradicando o sacrifício anual de cobrir com palha com elevados riscos de incêndio e consequente perda dos seus bens materiais.

Quanto à comercialização, N’canha lembrou que o preço a ser praticado conheceu quatro variantes de início até ao dia 12 de maio (500, 600, 750 e 1000 francos CFA).

“Espero recolher cerca de 500 quilos este ano e se mantiver o atual preço de 1.000 fracos CFA vai ser uma alegria da família inteira”, disse.

Por seu lado, o comerciante e comprador local, Suleimane Djané, considera ter sido traído pelo Ministério do Comércio na aquisição do seu Alvará.

“Fui tratar o meu Alvará e outros documentos necessários e tudo isso custou-me mais de um milhão de CFA que me dava o direito de levar as castanhas compradas para Bissau e revender aos exportadores mas alguns dias depois da aquisição dos documentos saiu uma nova ordem de que há uma nova tabela dos alvarás e aquele que me concederam apenas posso revender o produto aqui em Sonaco e se eu quiser transportar a castanha para Bissau tenho de pagar o dobro, ou seja, mais de dois milhões de CFA. Recusei. Agora estou a trabalhar para recuperar o meu dinheiro” lamentou.

Texto e fotos: Aliu Baldé    

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