Hospital Regional de Tombali sem uma única parteira

O Hospital Regional de Tombali, com sede em Catió, depara-se-lhe enormes dificuldades em termos de recursos humanos, uma vez que conta apenas com dois médicos e sem nenhuma parteira, havendo poucas enfermeiras para responder à procura da população regional, distribuída sanitariamente em oito áreas, concretamente Bedanda, Cacine, Calaque, Catió, Komo, Quebo, Sanconhá e Timbo.

A região conta com um total de 21 técnicos, que não conseguem responder satisfatoriamente, pois que também recebem doentes vindos de Empada, Fulacunda e Tite que pertences à Região de Quínara.

Conforme esclareceu o diretor daquele hospital, Vanísio Maniche Sanca, os técnicos do seu pelouro esforçam-se fisicamente para dar cobertura a toda a região, pelo que apela ao Ministério da Saúde a redobrar esforços procurando colocar mais técnicos, no sentido de preencher as lacunas ali existentes, porque já dispõem da casa das mães construída pelo Fundo das Nações Unidas para a População, que irá albergar grávidas de alto risco, como forma de reduzir o número da mortalidade materna e neo-natal a nível da região.

“Temos recém-formados do pólo sul que já se encontram a trabalhar no hospital há dois anos mas sem a devida colocação. Estes dão grande apoio nos diferentes serviços, uma vez que escolheram a profissão e juraram salvar vidas. Na medida do possível, recebem incentivos de acordo com os rendimentos do hospital, que podem servir para aquisição de sabão para lavar as batas. Também, as suas famílias são isentas do pagamento de consultas e de compra de medicamentos disponíveis no hospital”, esclarece Sanca.

Segundo a informação que prestou, o centro hospitalar dispõe de serviços de Medicina, Maternidade, cirurgias, Pediatria e um bloco operatório. A Região de Tombali enferma de uma particularidade em termos de paludismo, pois ali existem muitos mosquitos, mas que não são contagiosas, uma vez que em 100 casos atendidos diariamente aparecem, no máximo, dois de paludismo.

O diretor do hospital acima referido lembrou que os casos mais frequentes são as diarreias e as insuficiências respiratórias. Os casos de pacientes com paludismo que recebem são maioritariamente de Quebo e Buba, porque o Centro de Saúde de Buba é demasiado pequeno e não consegue internar todos os casos.

Pediu apoio da comunidade local na limpeza do hospital, extensivo ao Ministério da Saúde em termos de recursos humanos para dar a cobertura necessária.

Coordenada regional

A região tem uma superfície total de 3.736 km2, com uma população de 118.728 habitantes. A capital regional situa-se em Catió. Administrativamente está dividido em cinco setores, concretamente Catió, Bedanda, Cacine, Komo e Quebo e, em termos de cuidados sanitários, em oito áreas assim divididas: Bedanda, Cacine, Calaque, Catió, Komo, Quebo, Sanconhá e Timbo.

Para além da divisão em áreas continental e insular, existe o Hospital Regional de Catió, oito postos sanitários e dois Centros de Saúde do tipo B, em Cacine e Quebo, assim como 13 do tipo C, nas localidades de Bedanda, Bocana, Calaque, Cabedu, Caboxanque, Cassacá, Komo, Iemberem, Mato Faroba, Sanconhá, Saltinho, Cassumba e Timbo.

Os setores  de Catungo, Cadique, Catchamba, Tchuguê, Mampatá, Cafine e Unal têm os respetivos centros de saúde em estado de ruínas.

Visão da PNDS

De acordo com o Plano Nacional do Desenvolvimento Sanitário (PNDS), um dos maiores problemas da saúde na Guiné-Bissau é o financiamento do setor. O orçamento ordinário do Ministério da Saúde Pública (MINSAP) encontra-se totalmente constrangido pela escassez de recursos, isto é, depende da oferta dos financiadores externos e não da avaliação analítica das necessidades definidas em função da dimensão dos programas e das prioridades e do financiamento requerido para as operações de manutenção.

Vanísio Maniche Sanca, diretor do hospital

Segundo a política nacional de saúde, a prestação dos serviços sanitários é gratuita, deve ser garantida a toda a população sem diferenciação. Como é óbvio, essa política tende a não ser efetivada em razão da crise económica que o país enfrenta.

O paludismo, as doenças diarreicas e as infeções respiratórias agudas constituem as principais causas de consultas médicas. O paludismo, causado pelo Plasmodium falciparum, é a maior endemia do país e a principal causa de morte que se verifica nos hospitais de todo o país. Constitui, em média, cerca de 50 por cento de casos em todos os estabelecimentos sanitários, número esse que aumenta substancialmente durante a época das chuvas e varia para cada faixa etária.

A estação das chuvas corresponde à maior proliferação dos mosquitos, moscas e outros insetos, o que contribui para o aparecimento, além da malária, de outras doenças infeciosas. Em geral, acentuam-se, então, as diarreias e outras enfermidades. A maioria da população do país bebe água dos poços usualmente mal conservados e facilmente contaminados por águas torrenciais das chuvas. Se, por um lado, esse é o período da prosperidade dos agricultores, por outro, é quando há maior agravamento do estado de saúde dos habitantes de várias localidades do país.

Texto e fotos: Elci Pereira Dias

 

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