Homem assassinado a tiro em Gã-Mamudu

Na madrugada da passada sexta-feira, um homem de cerca de 65 anos, de nome Alhadje Sidi Embaló, (primeiro plano na foto) pastor e residente em Gã-Mamudu, Setor de Mansoa, foi cruelmente assassinado à porta da sua casa.

Alhadje Sidi num dos Ziaras em MadinaO assassino, que se identifica com o nome de Banfon, utilizou uma arma de fogo do tipo calibre 12, com uma bala que continha sete chumbos, de fabrico tradicional, portanto, mais mortífera do que aquelas vindas de fábricas de armamento modernas, tendo baleado a vítima nas costas, causando-lhe morte imediata.

Alhadje Sidi caminhava em direção à mesquita para cumprir com a oração das sextas-feiras, sendo surpreendido pelo assassino. Trata-se da terceira pessoa assassinada em Gã-Mamudu, em diferentes períodos, pelo assassino Banfon, sob intrigante complacência das autoridades administrativas, policiais e judiciais da Região de Oio.

Em relação aos dois primeiros assassinatos, sempre que Banfon mata alguém, as autoridades policiais prendem-no durante algum tempo para, posteriormente, o colocarem em liberdade sem que se tenha feito justiça.

Segundo informações recolhidas no terreno (no dia do enterro), Banfon, o assassino confesso, havia advertido na terça-feira o Alhadje Sidi de que as suas vacas andaram a pastar no seu campo de cultivo, tendo o avisado pedido perdão, dizendo que, se necessário fosse, estaria disposto a pagar os danos causados para acabar com o problema.

Em vez de aceitar uma recompensa em dinheiro, Banfon pegou na sua catana, na quarta-feira, dirigiu-se para o campo de Alhadje Sidi e destruiu todas as plantas, fazendo justiça pela sua própria mão.

O Alhadje Sidi, vendo todo aquele espaço destruído, informou da ocorrência à Polícia de Gã-Mamudo, tendo esta prometido prender Banfon. Como o Banfon não foi detido, na quinta-feira o Alhadje Sidi foi a Mansoa apresentar a queixa, tendo de lá regressado com uma intimação que entregou na Polícia a fim de que Banfon fosse convocado para comparecer, na sexta-feira, em Mansoa.

Durante a noite (de quinta para a sexta), Banfon voltou de novo para o campo de cultivo do Alhadje Sidi desta vez para arrancar o resto da plantação e, durante a madrugada, resolveu abater o Alhadje Sidi à porta da sua casa. De seguida, entregou-se na esquadra da Polícia local. Só a partir dessa altura é que Banfon foi feito prisioneiro.

Alhadje Sidi era um religioso convicto. Fez a peregrinação a Meca em três ocasiões, realizou viagens turísticas a alguns países da Ásia e da Europa tendo, nos últimos anos, dedicado à leitura do Alcorão em Bissau e participado em congregações religiosas de Ziara.

O pastor assassinado contava, neste momento, com cerca de 400 cabeças de gado bovino em Gã-Mamudu, tendo construído casas em Canchungo e Bissau. Alguns dos seus filhos estão a viver em diferentes países da Europa e da África Austral.

O assassinato do Alhadje Sidi causou uma grande dor à toda a gente e todos formulam votos para que a alma do malogrado descanse em paz, na Glória de Allah.

 

Bacar Baldé

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