Guineenses insatisfeitos com o tipo de justiça praticado no país

O povo está firme na procura da paz e segurança, mesmo tendo tribunais e juízes fazendo justiça com leis que prejudicam a população. Este facto é constatado em todo o país.

Por isso, a realidade deles é caso para se dizer que a caneta dos intelectuais só escreve o que se passa entre a população e os juízes a praticarem a justiça a seu bel-prazer.

Aqui surgem algumas perguntas frequentemente feitas pela população faz aos magistrados judiciais:

1 – Como é a convivência entre a população e os tribunais?

2 – Será que a população está grata e satisfeita com os serviços prestados pelos tribunais ou quieixa-se dos mesmos?

3 – Temos tribunais que pautam a sua conduta pela parcialidade ou imparcialidade?

Há um poeta que dizia:

Oh! Você é justo com toda a gente menos comigo. Vim queixar de si e você será o juiz de sua própria causa.

Eis, aqui, as respostas das perguntas anteriores:

1 – Nós, população, estamos em permanente desilusão e tristeza perante os tribunais.

Há provas deste argumento? Sim, existem muitas provas claras e evidentes que não escapam a ninguém, entre as quais:

  • O que vemos entre o queixoso e o queixado, assim como o dono da razão e o culpado. É que eles são tomados por igual no julgamento, o que resulta num claro atentado à paz e à dignidade.
  • Muitas vezes, o julgamento tarda porque é adiado por muitos anos. Às vezes, atinge até três, cinco, sete ou mais anos, com o agravante de não se poder, durante todo esse tempo, esclarecer ou distinguir o culpado da vítima.
  • Assim, vêmo-los muitas vezes utilizar brigas como armadilhas, ou lançando isco para poderem receber suborno que satisfaçam as suas necessidades e caprichos mundanos, aumentando, deste forma, prejuízos e, consequentemente, o atrito entre as partes em conflito. Mesmo assim, constatamos a satisfação na cara dos juízes pelo aproveitamento obtido do isco lançado entre as partes em conflito.

Quanto à segunda questão, a nossa resposta é:

  • A população queixa-se e sofre de abusos dos juízes, gritando em tom de desespero: Oh! Socorro pela afronta dos tribunais do país!… Socorro pela afronta dos juízes!

Se existem pessoas satisfeitas com os serviços prestados pelos tribunais e juízes, essas serão, com certeza, uma minoria insignificante, menos de 10 por cento. Atualmente, a grande maioria queixa-se dos tribunais e dos juízes.

No que se refere à terceira questão, afirmamos que:

  • A justiça é claramente tendenciosa e inquinada, tal como vemos nos trabalhos feitos atualmente pelos tribunais. O exemplo disso está na justiça feita entre alguém que mata uma pessoa propositadamente e quem pratica a mutilação genital feminina (MGF).

No primeiro caso, a pessoa é presa durante alguns meses ou, até, um ano, no máximo, por receio de retaliação dos familiares da vítima e é sancionada com uma multa simbólica para depois ser libertado incondicionalmente.

Enquanto no segundo caso – a MGF – a praticante é presa e castigada durante muitos anos e é-lhe aplicada uma multa pesada, uma soma em dinheiro elevada, fora do seu alcance financeiro.

Todos sabemos qual é a situação financeira de uma mulher camponesa. Se ela for obrigada a pagar milhões de francos CFA, fica preocupada por não saber do que se trata.

Será que essa é a forma de fazer justiça e aceite na mente de uma pessoa sã?

Muitas vezes, uma mulher circuncisada tem mais saúde e tem um parto normal, natural e seguro, em relação a outra não circuncisada. Isso é um facto comprovado e testemunhado atualmente na sociedade.

Será que este tipo de julgamento promove a paz no país?

Sobre este ponto, citamos uma ativista no país que acusou os filhos de Tcherno Rachid de se oporem à lei que proíbe a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau. E que tais opositores são estrangeiros, descendentes da vizinha República da Guiné.

A mesma mulher apontou dois nomes entre os filhos do conhecido Tcherno Rachid, a saber: Aladje Tcherno Aliu Djaló e Aladje Iaia Djaló.

Cabe-nos respondê-la, parafraseando o nosso velho tio, falecido Aladje Bacar Demba Embaló, de Áfia-Forreá (pedimos a Deus para a perdoar e dar-lhe um canto no paraíso). Esse velho dizia que “vale mais beneficiar um local, ao invés de vangloriar de lá ter vivido por muito tempo”.

Para tal e como é sabido, essa família oriunda de Tcherno Rachid e Alfa Amadila, bem como de tantas outras iguais a ela, nunca são guiadas por prazeres mundanos para vender a sua dignidade e religião a troco do vil metal, até ao ponto de os levar a dizer o contrário do que lhes vai na alma, a fim de beneficiarem de situações ilícitas.

Muitas vezes vemos juízes a adiar sessões de julgamento “sine die”, lançando mais lenha para a fogueira da briga.

Há um ditado dos nossos antepassados que diz que “a verdade não é assim tão longa, a ponto de ser atrasada por longo tempo”.

Assim também é raro ver juízes a penalizar os culpados porque, segundo eles, castigar o culpado ou mandá-lo para a cadeia aumenta o problema entre as partes em conflito.

Será que uma pessoa consciente acredita nisso? Isso é lógico?

O povo guineense sabe, certamente, que prender e castigar o culpado é o primeiro mecanismo e a forma mais adequada e eficaz de estancar qualquer problema, assim como disciplinar e persuadir outros a abandonar a prática de crimes de ofender vizinhos e pessoas na sociedade.

Assim reza o verso de um poeta experiente:

Será que esta é uma bênção, ou ela é uma das calamidades na nossa terra?

A resposta do povo é, sem dúvida, uma calamidade, uma doença de difícil cura e prejudicial a toda a sociedade.

Muitas vezes apreciamos casos em que os juízes favorecem funcionários dos tribunais nas disputas entre estes e estranhos, mesmo sendo eles claramente os culpados. Este é um facto conhecido publicamente, o que aumenta a insatisfação dos que se sentem injustiçados. E o caso tornou-se, como diz o experiente poeta:

“Não cometa a injustiça, se puder… porque, no fim, a injustiça só te trará arrependimento

Fica a dormir e o injustiçado acordado… orando e chorando sobre ti, pedindo socorro a Allah, que nunca dorme.”

O povo julga e trata os juízes como médicos. Portanto, eles deviam curar a tristeza dos injustiçados, assim como os médicos fazem perante o sofrimento dos pacientes, para que haja paz e segurança no país. Infelizmente, o povo ficou dececionado!

Dizia um sábio: não procure saúde através de um doente.

O mais admirável de tudo isso é que os juízes pensam que o povo não vê e nem percebe do seu trabalho. Claro que percebemos das suas manobras.

Este facto descrito é como uma doença preocupante no país.

Todos procuram os caminhos da paz e segurança, mesmo um ladrão e um usurpador julgam as suas ações como corretas, mesmo errando nos métodos.

Aqui têm esta pergunta:

Será que existe paz sem justiça?

Estas são as ideias do seu irmão guineense, Tcherno Aliu Djaló, filho de Haruna Rachid Djaló, aquele que reclama a segurança para o país, tal como outros o fazem também. Espero que estas não sejam vistas como ideias políticas.

Não sou político nem interfiro na política. Não a conheço nem me debruço sobre dela. Estou a falar somente tendo em conta a realidade que se passa no nosso livre e abençoado país. O que foi dito aqui não escapa aos espertos.

Por fim, endereço um cumprimento profundo a todos os governantes e governados.

 Viva o povo da Guiné-Bissau!

Feito em Quebo, Setor de Forreá, Região de Tombali, aos 17 dias de fevereiro de 2017.

 

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