Governo promete tolerância zero à saída clandestina da castanha de caju

Ministro da Energia, Florentino Mendes Pereira, presidindo a abertura da campanha da castanha de cajuSob o lema “tolerância zero a saída clandestina da castanha de caju”, o Governo procedeu, no dia 31 de março, no Setor de Prábis, à abertura oficial da campanha de comercialização e exportação da castanha de caju do ano 2017, tendo estabelecido o preço mínimo de 500 francos CFA, por cada quilograma de castanha, embora em algumas localidades já se vendem a 600 francos.

Em representação do Primeiro-Ministro, Florentino Mendes Pereira, ministro de Estado e da Energia, disse que a castanha de caju é o principal produto de exportação do país, chegando mesmo a atingir 200 mil toneladas por ano. Esta cifra coloca o país no quinto lugar do ranking dos principais produtores do mundo, ocupando a segunda posição a nível de África.

No tocante ao rendimento, Florentino Mendes Pereira realçou que a castanha nacional é de “excelente qualidade e muito procurada” no mercado internacional.

No obstante, afirmou que o caju dispõe de vantagens económicas de vária dimensão, tanto de ordem interna como externa. Em relação aos fatores externos, disse que a capacidade de controlo e de influência é limitada, pelo que sugeriu a necessidade de estabelecimento de estratégias para o cumprimento escrupuloso de boas práticas, com vista à manipulação do produto em causa, partindo da fase da colheita, secagem, armazenamento e até à sua exportação.

Para fornecer um produto de qualidade aos clientes, o ministro de Estado e da Energia aconselhou os produtores a serem imparciais em todas os processos, principalmente na colheita e secagem do produto justificando que, só assim, será possível assegurar a valorização, comercialização e exportação do caju.

Mendes Pereira lamentou o facto de a produção anual da castanha nacional ser exportada em estado bruto, quase na sua totalidade, sem valor acrescentado e que o mais agravante é ser destinada a um único comprador externo. Esta dependência, segundo ele, não exerce nenhuma influência na formação de preços e torna a economia nacional demasiadamente vulnerável aos choques externos.

Segundo este governante, o Executivo está a desenvolver uma estratégia a nível do comércio com vista a penetrar nos novos mercados. Nesta ordem de ideias, exortou as empresas exportadoras e os bancos locais a trabalharem no sentido de apoiar a iniciativa do Governo como forma de garantir e promover a diversidade da exportação da castanha.

Mendes Pereira disse que tem de haver a eliminação das barreiras, menos controlo e fiscalização nas estradas.

Por sua vez, Victor Mandinga, ministro do Comércio e Promoção Empresarial disse que é preciso organizar o funcionamento do mercado regional, apontando como prioridade a  necessidade de se pagar o imposto.

Victor Mandinga, aconselhou as associações de mulheres produtoras a abrirem as contas nos diferentes bancos, como forma de facilitar os possíveis apoios financeiros de que podem vir a beneficiar.

“Não será permitida a circulação de dinheiro acima de 200 mil”, revelou o ministro do Comércio e Promoção Empresarial.

Neste sentido, apelou às instituições e ao setor privado que intervém no processo de escoamento da castanha uma maior colaboração e chamou a atenção sobre as consequências dos efeitos negativos da chuva no processo.

Joãozinho Có, administrador do Setor de Prábis, satisfeito com a escolha da Região de Biombo para efeitos de abertura da campanha de caju 2017, exortou o Governo a exercer uma ação fiscalizadora sobre os comerciantes porque, segundo ele, os empresários da fileira de caju têm levado produtos fora de prazo suscetíveis de intoxicar os agricultores, em troca com a castanha. Por outro lado, garantiu a colaboração da população em denunciar os infratores.

A população de Prabis durante a abertura da campanha de caju 2017Mama Samba Embaló, em representação da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS) defendeu que a castanha representa mais de 19 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, atingindo cerca de 90 por cento do Orçamento Geral do Estado. “Esperamos que a exportação da presente campanha atinja as 250 toneladas”, assegurou Embaló.

Para ele, a exportação de caju em bruto, sem processamento local, representa uma perda considerável para o país, já que o processamento local, além de gerar emprego tem valor acrescentado.

António Nunes, em representação da Câmara de Comércio da Guiné-Bissau (CDCGB), frisou que a situação atual do setor privado causa preocupação tendo em conta o estado de descapitalização dos operadores económicos, cuja influência faz dos pequenos comerciantes e industriais viver na pobreza extrema. Por isso, é preciso criar vontade política para mudar o cenário da política económica, especialmente na área comercial.

Nunes chamou a atenção relativamente ao envelhecimento dos cajueiros do país, onde é notória a baixa anual de produção. Essa situação explica-se pelo facto de o cajueiro atingir a plena produção entre 5 a 20 anos, começando a produção a baixar a partir dos 30 anos.

Nesse sentido, exortou a ANCA, que é a instituição vocacionada a implementar as medidas de qualidade e de quantidade das plantações de caju nas regiões, uma vez que algumas estão a ser atingidas por pragas, deixando as árvores esqueléticas e secas.

O presidente da Associação Nacional dos Agricultores (ANAG), Jaime Bolis Gomes, disse que o preço de 500 francos CFA fixado pelo Governo é muito bom e aceitável, tendo em conta o nível da procura da castanha. A expetativa dos agricultores é que a campanha corra bem.

Gomes aconselhou os agricultores no sentido de procurarem, no máximo, preparar os seus produtos, tentando criar um rendimento de qualidade segundo as recomendações técnicas de boa colheita da castanha de caju, nomeadamente: saber colher, preparar, secar bem e, também, o outro passo é o de ensacamento, devendo utilizar-se sacos de juta e não de nylon.

Texto e foto: Adelina Pereira de Barros

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