Governo guineense lança estudo sobre o custo de fome em África

O Governo da Guiné-Bissau, em parceria com o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas lançou esta quinta-feira, 07 de setembro de 2017, o Estudo sobre o Custo da Fome em África.

O Estudo sobre o Custo da Fome em África é uma iniciativa continental liderada pela Comissão da União Africana e apoiada pela Comissão Económica das Nações Unidas para a América Latina e Caraíbas e o NEPAD.

A investigação visa demonstrar o nível dos custos provocados à economia nacional e à condição social pela desnutrição infantil e os possíveis retornos económicos que podem advir de investimentos apropriados na nutrição.

Segundo os parceiros envolvidos da realização do estudo lançado, em Bissau, dentro de oito a dez meses os resultados do estudo podem ser conhecidos.

No seu discurso durante o lançamento da iniciativa, o Ministro do Estado e da Economia e Finanças afirmou que o engajamento do Governo guineense na realização do Estudo sobre o Custo da Fome em África é “total e firme”.

Na observação de João Alage Mamadu Fadia, falar do custo da fome no país é falar das causas que não permitem aos guineenses serem saudáveis, ativos, produtivos, competitivos e de terem uma vida longa e ativa.

Neste sentido, o governante espera que os resultados do inquérito possibilitem fazer a inversão, implementação, seguimento, avaliação, execução de programas, projetos eficazes e eficientes no combate à fome, um dos 17 objetivos da agenda 2030 das Nações Unidas.

João Alage Fadia diz acreditar, no entanto, que o estudo vai permitir ao Executivo de Umaro Sissoco Embaló alargar e tornar durável as suas ações desenvolvidas nos últimos oito meses em agricultura, saúde, educação, infraestruturas, energia, água, saneamento nas finanças e na cooperação internacional.

“Refiro, entre outros, ao fornecimento de sementes aos agricultores, redução de preços dos produtos da primeira necessidade, melhor rendimento aos produtores da castanha de caju, apoio às cantinas escolares, vias de acesso às zonas de produção, e sobretudo alimentar”, refere.

Por sua vez, a representante do Programa Mundial no país, Kiyomi Kawaguchi, lembra que dados de estudos realizados em 12 países revelam que entre 47 por cento dos casos da mortalidade infantil estão relacionados com a desnutrição.

A União Europeia, por exemplo, sublinha ser necessário integrar a problemática da desnutrição no financiamento dos programas estratégicos ligados à segurança alimentar, agricultura sustentável, saúde e educação e lembra que essa abordagem integrada é coerente com o novo consenso da União Europeia sobre o desenvolvimento.

Segundo João José Casanova, representante da União Europeia no lançamento do Estudo sobre o Custo da Fome em África, na Guiné-Bissau as taxas de má nutrição infantil têm diminuído, passando agora de 36.1 por cento em 2000 para 27.6 por cento em 2014.

Ovídeo Pequeno, representante da União Africano na Guiné-Bissau, reconhece, por sua vez, que a África continua a ter problemas graves de desnutrição.

O diplomata São tomense acredita, contudo, que África tem a capacidade e potencial para obter melhor dividendo demográfico dos jovens educados e que constituem força de trabalho, por isso alerta que esse potencial só pode ser aproveitado se forem feitos investimentos na saúde nutritiva particularmente nas mulheres e crianças de forma a obter o crescimento económico desejado.

In O Democrata

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