Falta pão em Bissau

Aua Banora não sabe como «alimentar bem» os seus quatro filhos já que há cerca de uma semana que não há pão nos mercados e nas padarias da Guiné-Bissau por causa da falta de farinha de trigo no país.

Aua, uma viúva de 52 anos, contou hoje à agência Lusa que percorre todas as padarias do bairro de Mindará, nos arredores da capital guineense, na esperança de arranjar três pães que diariamente tem que levar para o pequeno-almoço dos seus filhos, todos em idade escolar.

«Esses dias têm sido um autêntico quebra-cabeças para alimentar bem os meus filhos, sem pão é difícil», assinalou Aua Banora, que teve que recorrer à mandioca, que os filhos comem a contragosto.

O pão é dos principais produtos da dieta alimentar dos guineenses e regra geral não pode faltar no pequeno-almoço de qualquer família, independentemente da classe social.

Numa ronda em algumas padarias de Bissau, a Lusa viu várias pessoas a tentarem perceber o que se passa e qual o motivo da falta do pão nos últimos dias. Como a viúva Aua Banora, muitas pessoas pareciam desesperadas com a situação.

Tierno Ibraima Baldé, padeiro no bairro de Sintra-Nema, disse à Lusa que não sabe ao certo o que está a motivar a falta do pão, apenas diz ter ouvido outros colegas da profissão a dizerem que «falta farinha», que é importada de países vizinhos.

O secretário-geral da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (Acobes), Bambo Sanhá, indicou que a situação se deve ao aumento das taxas alfandegárias que o Governo cobra aos importadores da farinha do trigo.

Devido a este aumento, os dois principais importadores da farinha estão a ter dificuldades em levar o produto para o mercado guineense a partir de países como o Senegal, Gâmbia ou Guiné Conacri, e consequentemente há escassez, explicou Bambo Sanhá.

A escassez da farinha do trigo faz com que alguns comerciantes estejam a vender um saco do produto de 50 quilogramas por 22 mil francos CFA (cerca de 33 euros), quando há uma semana o mesmo saco custava 16 mil francos cfa (cerca de 24 euros), disseram vários donos de padarias.

Na padaria do bairro de Reno, o padeiro Mamadu Djaló faz contas à vida para decidir se aumenta o preço do pão ou se corta na massa, na tentativa de compensar o aumento do preço do saco de 50 quilogramas da farinha.

Djaló disse ter encontrado um comerciante que lhe vendeu um saco da farinha de 50 quilos por 24,5 mil francos cfa (cerca de 37 euros).

Entre muitas indefinições, o padeiro que alimenta as bancas dos pequenos comerciantes, as famílias e as mulheres vendedoras de sanduíches no bairro de Reno, disse ter decidido cortar na massa do pão porque se aumentar o preço «o povo irá sofrer».

«Em vez de fazermos uma massa (do pão) de 200 gramas, agora vamos fazer uma de 175 gramas», observou Mamadu Djaló.

O secretário-geral da Acobes disse ter informações dos importadores, segundo as quais o problema da falta da farinha de trigo poderá ser ultrapassado nos próximos dias.

Abola

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