Estudantes de “Tchico Té” contra substituição do ex-diretor

O Decreto número 31, do dia 10 do corrente mês, assinado pelo ministro da Educação Nacional, Sandji Fati, que nomeou Saido Djaló para o cargo de diretor da Escola Normal Superior Tchico Té, em detrimento do ex-diretor Miguel Lisandro Soares da Gama provocou, no dia 14 do corrente mês, pela primeira vez na história administrativa da escola, uma onda de protesto de estudantes em pleno ato da tomada de posse do recém-nomeado.

O ato de empossamento aconteceu na referida escola, sob a presidência do diretor do Gabinete de Apoio e Contencioso da Educação, na presença do ex-diretor e dos estudantes que afluíram à escola para manifestar a sua indignação perante aquele procedimento administrativo.

Na ocasião, Flaviano Baticã Fereira, diretor do Gabinete de Apoio e Contencioso da Educação, disse ter constatado que na Escola Tchico Té existe uma harmonia invejável, o que permite que a substituição não afete a continuidade do progresso da escola.

Quanto à manifestação dos estudantes, disse que a compreende e até pode solidarizar-se com os manifestantes, mas que os mesmos irão compreender o porquê da mudança. “Acho que o Ministério visa, com esta mudança, a melhoria da escola a nível administrativo. Não porque a direção cessante não tenha feito algo de bom. Ela até fez e muito.”

Sobre o que alegam os estudantes, prometeu relatar ao ministro da Educação, que é quem compete decidir sobre a revogação ou não do decreto, uma vez que estava ali apenas a cumprir uma missão.

Por sua vez, Miguel Lisandro Soares da Gama agradeceu a solidariedade dos alunos para com a sua direção, mas considerou de normal a sua substituição e que ela deve ser vista como um procedimento administrativo normal. Nesta ordem de ideias, lembrou que quando foi nomeado também foi substituir alguém.

Quanto à avaliação do trabalho da sua direção, considerou-o de positivo, até porque já entregou toda a documentação, ou seja, o relatório ao novo diretor, pelo que exortou a todos para que colaborem com a nova direção, manifestando a sua disponibilidade para colaborar com a nova direção.

“Posso dizer que saio daqui satisfeito porque fiz boas amizades, numa palavra, adquiri uma nova família. Considero a manifestação um gesto de carinho”, rematou Miguel Lisandro Soares da Gama.

Por seu lado, Saido Djaló, recém-nomeado para o cargo de diretor, afirmou que não está preocupado com a manifestação dos alunos e considerou-a de normal. Por outro lado, revelou que esta é a terceira vez que é nomeado como diretor da Escola Normal Superior Tchico Té, pelo que os protestos servir-lhe-ão de motivação e chamada de atenção, no sentido de trabalhar e corresponder às expectativas de todos. Assim sendo, manifestou vontade de dar continuidade aos projetos deixados pela direção cessante, justificando que são benéficos para a escola. A propósito, revelou que o ponto de partida dos projetos pendentes vai ser a formação de professores e os de cursos de línguas estrangeiras, para o bem dos alunos, professores e da própria escola.

Em reação, Genuário Joe Indi, em nome do denominado coletivo de estudantes descontentes com o procedimento administrativo do Ministério da Educação, disse que não estão contra a pessoa que foi nomeada, mas sim contra o procedimento “desnecessário” da tutela, uma vez que, segundo eles, o então e agora ex-diretor da escola estava a trabalhar bem e não era necessária a nomeação de uma outra individualidade.

A propósito, exortou o ministro da Educação no sentido de reconsiderar a sua posição, mantendo Miguel Soares da Gama no desempenho do cargo de diretor. Por outro lado, lembrou que o ministro, aquando da vista efetuada à referida escola, tinha avançado que era desnecessária a exoneração do então diretor, tendo em conta a dinâmica que estava a imprimir em prol do progresso da escola.

De salientar que esta é a terceira vez que Saido Djaló é nomeado para o cargo de diretor da Escola Normal Superior Tchico Té.

Texto e foto: Nelinho N´Tanhá

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