Especialista diz que “falta de preparação de políticos resulta em catástrofe”

O mestre em Gestão de Conflitos, Carlos Alberto da Costa, revelou, recentemente, que a falta de preparação de atores políticos está na origem da perene divergência que se regista no seio dos guineenses e da consequente interrupção de sucessivas legislaturas.

Numa entrevista exclusiva ao “Nô Pintcha”, Alberto da Costa, vulgo “Calabeto” disse que a estabilidade política tem sido alterada pelos líderes antidemocráticos e detentores do poder desde a independência, impedindo que se alcance a convergência nacional.

Da Costa afirmou que esta transformação pode ser atingida através do exercício da razão, ou da razão do Estado constitucional. Por isso, segundo ele, José Mário Vaz é capaz de introduzir o sistema presidencialista dentro da política nacional, de modo a resolver a crise vigente no país.

Este gestor de conflitos demonstrou que a crise política vivida nos últimos tempos fica a dever-se a divergências internas de um partido causado por grupos de pessoas que suporta o Presidente da República e outro que aconselha o líder do PAIGC e que tudo fazem para influenciar negativamente a observância de convergência política entre as duas partes. Aliás, isto é um dos obstáculos que afeta o entendimento entre José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira.

“Se Domingos Simões Pereira e José Mário Vaz alcançarem algum entendimento político, os conselheiros vão perder”, explicou. Aconselhou as partes em divergência a trabalharem no sentido de identificar essas pessoas que podem ser nacionais ou da sub-região com interesse na Guiné-Bissau.

Relativamente à divergência de interesses observado no seio dos políticos, este responsável assegurou que deve haver uma atitude construtiva, porque existem muitas críticas destrutivas, pois não se vê nenhum político a realçar ideias positivas de um adversário.

Mostrou que a forma indicada de resolver a crise guineense passa pela exclusão dos conselheiros da vida política, caso contrário, a população é que paga com isso.

De acordo com este perito, o atual Presidente da República é o único, desde a independência, respeitador da Constituição e que tenta resolver a justiça procurando estabelecer a ordem, mas os guineenses não o têm compreendido.

“É difícil herdar uma política após 40 anos de independência e transformá-la positivamente em quatro anos, razão pela qual deve haver um entendimento entre os políticos”, avalizou.

No olhar deste gestor de conflitos, há que haver pragmatismo, tendo em conta que os dirigentes políticos foram eleitos pelo povo para tratarem das necessidades da população e não para fomentar a intriga.

Carlos Alberto da Costa garantiu que a consequência da falta de preparação dos políticos resultará em perda para as novas gerações, uma vez que carecem de maturidade política suficiente em pensar no desenvolvimento.

Julciano Baldé

Print Friendly
Siga nos nas redes socias:
partilhar isso?

Deixar uma resposta

Todos direitos reservado JORNAL NOPINTCHA 2016