Diretor-geral do JNP reconhece contributo de jornalistas mas lamenta atraso na efetivação

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Os funcionários do jornal “Nô Pintcha” comemoraram o 42.º aniversário da criação do órgão a 27 de março de 1975. Neste âmbito, o diretor-geral, Simão Domingos Abina, reconheceu os esforços dos trabalhadores, particularmente dos jornalistas não efetivos, que considerou de verdadeiro suporte do jornal.

O diretor-geral lamentou a não efetivação de alguns jornalistas que, há mais de 12 anos, têm contrato de provimento administrativo com o Estado, contrariamente ao previsto na lei da função pública guineense que considera que qualquer contratado, após dois anos de cumprimento ininterrupto, passa de forma automática a efetivo.

As reportagens nas regiões e o aumento de número de páginas do semanário, 12 para 16, e o consequente acréscimo de rubricas, são alguns dos objetivos traçados pela atual direção.

Num breve historial do jornal, Simão Domingos Abina lembrou que o “Nô Pintcha” é o único jornal estatal e o primeiro do país. “Foi criado a 27 de março de 1975. Era trissemanário, ou seja, saía três vezes por semana (3.ª, 5.ª e sábados) com tiragens acima de cinco mil exemplares, distribuídos por todo o território nacional.”

Abina disse que ingressou no jornal em 1982 e, no mesmo ano, entraram também dois outros colegas, nomeadamente Aniceto Alves e Pedro Fernandes (atualmente funcionários mais antigos).

O diretor-geral recordou que foi a partir do estabelecimento do multipartidarismo, em 1994, o “Nô Pintcha” passou a publicar notícias com conteúdos já diferentes daquele do período de partido único. “Começou-se a difundir informações críticas ao Governo e essa mudança de posição provocou a suspensão de apoios financeiros que o Executivo suportava na altura, nomeadamente no fornecimento de papel, de despesas com impressão e outras  inerentes à produção do jornal. A partir daí, fizemos a «travessia do deserto», saindo para a banca quando fosse possível e chegou a publicar apenas 20 edições em 52 semanas, ao invés de, no mínimo 52 publicações”.

Abina reconheceu que a entrada do falecido Bebiano Fernandes como diretor do “Nô Pintcha”, no período das primeiras eleições multipartidárias em 1994 deu uma outra dinâmica ao jornal. Disse que a liberdade que a imprensa passou gozar também ajudou no relançamento e crescimento do órgão. “Imprimíamos cerca de 2500 exemplares e mesmo assim, era pouco para os leitores.

Instado a falar sobre a atual situação do jornal, Abina começou pela área de pessoal, afirmando que a instituição tem, neste momento, apenas cinco jornalistas efetivos, quatro repórteres em regime de contrato de provimento administrativo há já muitos anos, e, há dois meses, a remuneração de seis jornalistas (contratados e estagiários) foi assumida pelo Estado.

Justificou que os cinco jornalistas efetivos, todos eles, exceto Aniceto Alves, têm funções que não lhes permite estar fora da instituição durante o tempo normal de expediente, a não ser por motivos fde força maior. Por tal motivo, deslocam-se com pouca frequência para o exterior.

Importa salientar que o “Nô Pintcha” está assegurado a 100 por cento, neste momento, pelos jornalistas não efetivos, isto é, em termos de recolha e tratamento de informação que publicamos. Por isso, sem colocar em causa as suas qualidades, estes jovens merecem uma oportunidade para a frequência de estágios de superação. Sendo um órgão com ligações ao Estado, foi questionado se sofre de “pressão” dos governantes. O diretor-geral do “Nô Pintcha” afirmou que nunca foi pressionado por quam quer que seja. “Acho que o colega está a referir-se a “pressão” no sentido de favorecer alguém, ou uma organização ou, ainda um grupo de pessoas. Nesse sentido, nunca.”

“Os órgãos de comunicação social públicos são propriedade do Estado da Guiné-Bissau, que é permanente e pertence a todos, contrariamente aos que pensam que os media estatais pertencem aos governos cujo período de exercício é temporário (uma legislatura de quatro anos). Em relação à evolução do processo de regularização do pessoal não efetivo, disse que o procedimento está no bom caminho. “O Governo está a controlar, neste momento, os funcionários com vínculo à Função Pública. Acho que ninguém é contra esse controlo e que a comunicação social não pode constituir exceção, pois há informações que dão conta de que há assessores de imprensa de órgãos públicos que ganham nos respetivos ministérios e nas instituições de proveniência.

Simão afirmou estar contra as “nomeações políticas”, baseadas em confianças partidárias.Estou sempre contra qualquer nomeação política, até no meu caso. Quando fui proposto para o desempenho deste cargo, fui claro em dizer que vinha trabalhar com total isenção e sem interferências. Confiar-me um cargo com base em aproximação a organizações partidárias, é melhor manter-me sem função porque, essas confianças políticas colocam em causa os princípios fundamentais do jornalismo (isenção, imparcialidade e igualdade no tratamento).

Aliu Baldé

 

 

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