Conselho de Estado volta ao impasse

Aspeto da reunião do Conselho de Estado, mais uma inconclusivaA reunião do Conselho de Estado, que se realizou pela segunda vez no decurso de uma semana, voltou a ser inconclusiva devido a divergências de pontos de vista em relação à proposta apresentada na semana passada por Cipriano Cassamá. O encontro, que decorreu no dia 15 março, durou apenas quatro horas, tendo como propósito analisar o documento que visava encontrar uma solução para a saída da insustentável crise política.

À saída do encontro, o porta-voz do Conselho de Estado, Victor Mandinga, acusou o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde de continuar a ser fator de bloqueio da Guiné-Bissau. Este político disse ainda que não se pode falar em bloqueio das instituições da República mas, antes, de encerramento deliberado da Assembleia Nacional Popular (ANP) por parte dos libertadores.

No entender do porta-voz do Conselho de Estado, a Assembleia Nacional Popular é única instituição do Estado que não está a funcionar em pleno, pelo que não se pode falar de crise generalizada como o PAIGC tem alegado. “Não vale a pena fazermos como o avestruz, esconder a cabeça na areia.”

Este político afirmou que quem tem direito de representar o povo são os deputados e “não os membros do Comité Central, nem do Bureau Político. Somos uma democracia representativa, a não ser que as pessoas queiram ir para a democracia direta”.

O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde afirmou que, a partir de agora, a resolução da crise está nas mãos do Presidente da República, como sempre esteve. Domingos Simões Pereira considerou que o Chefe de Estado, José Mário Vaz, tem dificuldades em conduzir um debate sério e construtivo, daí que esta reunião não tenha proporcionado resultados desejados.

“Agora é que se deve falar numa grave crise institucional na Guiné-Bissau e não na altura da demissão do meu Governo, em agosto de 2015,” disse Domingos Simões Pereira.

Por seu turno, o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, explicou que o Presidente da República está a brincar com o povo guineense. Disse ainda que este não é um Conselho de Estado, mas sim uma farsa, acrescentando que José Mário Vaz não quer estabilidade.

Texto e foto: Fulgêncio Mendes Borges

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