Conferência Internacional do caju recomenda maior atenção ao setor e às empresas de processamento local

a-runiao-que-marcou-a-visita-da-delegacao-da-decima-conferencia-internacionalA delegação da 10.ª Conferência Internacional do caju exortou ao Governo da Guiné-Bissau a prestar maior atenção ao setor e às empresas de processamento local.

A reação veio na sequência da visita que os conferencistas promoveram a uma das maiores unidades de processamento da castanha de caju, sita na tabanca de Capafa, Setor de Bula, Região de Cacheu, cuja administração está sob alçada do Grupo Arrey.

O périplo visava cumprir o último ponto da agenda de trabalhos do colóquio universal, que decorreu durante quatro dias no país, cuja abertura teve lugar no dia 19 de setembro, contando com a participação de técnicos, especialistas e representantes de diferentes organizações não-governamentais, instituições bancárias, pequenas e grandes empresas nacionais e estrangeiras que operam na fileira de caju.

Após esta visita, Sunil Dahiya, representante da Aliança Africana de Caju (ACA) e chefe da caravana, num breve balanço sobre os quatro dias de atividade, deu nota positiva à 10.ª Conferência realizada em Bissau. Realçou a importância e dimensão da Guiné-Bissau para o progresso do setor do caju a nível da sub-região, da África e do mundo em geral. “A partir desta realidade, a Guiné-Bissau pode superar várias dificuldades, principalmente o desemprego juvenil e a pobreza económica”, afirmou Sunil Dahiya.

Ele sublinhou que o Governo deverá dispensar uma atenção especial aos operadores deste setor, destacando os que tiveram coragem de fixar as unidades de processamento no país. Segundo ele, essas empresas, que não pensaram nas dificuldades internas, merecem mais apoio, porque não estão apenas a pensar no lucro, mas também a apoiar o Executivo na luta contra a pobreza e o desemprego.

Por sua vez, o administrador da empresa ligada ao Grupo Arrey disse que este encontra-se em fase experimental, garantindo que o mercado nacional tem capacidade suficiente para atrair mais investidores e responder às exigências e, com a castanha do caju, o país pode competir em qualquer mercado internacional.

Para o efeito, deixou um trabalho de casa para ser desenvolvido, nomeadamente a necessidade de haver uma política que encoraje e motive os investidores já em exercício, em particular para os que se dedicam ao processamento local.

visita-da-delegacao-da-decima-conferencia-internacional-a-unidade-de-processamente-de-capafa-em-bulaSegundo ele, as maiores dificuldades estão ligadas a falhas no fornecimento de energia elétrica e desatenção política sobre as empresas com unidade de processamento interna, porque não exportam em bruto. A propósito, defendeu que as referidas empresas merecem maior atenção do Governo porque, além de prestarem serviços que proporcionam rendimentos que contribuem para o Orçamento Geral do Estado, também promovem emprego e ajudam na luta contra a pobreza na família guineense.

Turismo atraiu a delegação

 Entretanto, as potencialidades turísticas nacionais atraíram a atenção da delegação da ACA que visitou, também, as zonas históricas de Cacheu, nomeadamente o projeto de pesca Baluarte, casa do tráfico de negreiros e a igreja católica, criada em 1533.

Depois da visita, a responsável dos recursos humanos da ACA, satisfeita com a visita, disse que está muita emocionada com tudo aquilo que viu e ouviu sobre a história do tráfico negreiro para outros continentes a partir de Cacheu.

Mimian Lanti, de nacionalidade ganesa, afirmou que, com as informações recebidas, ficou muita revoltada contra os colonizadores, muito mais ainda quando viu os materiais que os autores do tráfico utilizavam contra os negros, as torturas a que eram submetidos enquanto aguardavam pela vinda desses navios, nomeadamente as algemas, chicotes, correntes para acorrentar esses humanos e muitos materiais que eram usados para neutralizar os africanos. “Na verdade, fiquei muito triste e chocada; chorei pelo que ouvi e vi, não só na qualidade de africana, mas sim, na de uma humana.”

Por outro lado, manifestou-se satisfeita com os trabalhos feitos pela ONG AD (Ação para o Desenvolvimento), por ter recuperado e conservado o edifício onde os escravos eram colocados e os materiais que servem como história para os mais novos conhecerem o martírio vivido pelos seus antepassados durante a colonização.

O santuário de Cacheu, segundo reza a história da Igreja Católica, foi criado em 1533 pela diocese de Cabo Verde e guarda a marca da chegada dos primeiros missionários à Guiné-Bissau, com a fixação, em 1660, dos primeiros missionários franciscanos no local.

Associada à evangelização os valores de sã consciência, a peregrinação é uma ação de graças e o renovar do compromisso do testemunho cristão para os desafios da paz e reconciliação.

De salientar que a 10.ª Conferência Internacional decorreu em simultâneo com o Festival Internacional e a Exposição Mundial do Caju sob o lema: “Uma década de transformação”, na qual a Guiné-Bissau assumiu a presidência do comité executivo.

Os temas abordados foram: competitividade global, (os problemas reais para a África e como abordá-los); o papel das instituições financeiras de desenvolvimento na facilitação de financiamento competitivo para a indústria do caju, melhorar a qualidade e a quantidade do caju e a promoção do investimento constituem um dos temas mais destacados.

Texto e fotos: Nelinho N’Tanhá e Fulgêncio M. Borges

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