Chefe de Estado promete combater fome através do projeto Mon Na Lama

O Presidente da República terminou a etapa da presidência aberta na região de Biombo, na passada sexta-feira, dia 28 do abril, durante um comício popular realizado na vila de Ondame. José Mário Vaz afirmou que é possível tirar o país da fome e da miséria, através do programa Mon Na Lama mas, para isso, pediu aos guineenses a apostarem na agricultura.

Antes do comício, o Chefe de Estado esteve em Bôr onde visitou uma escola pública com capacidade de albergar cerca de mil alunos. Durante a visita José Mário Vaz ficou desapontado com as condições em que se encontra a referida escola.

Depois desta localidade, a comitiva seguiu para o Setor de Safim a fim de visitar a bolanha de uma das aldeias desta zona chamado Ntus. Ali, JOMAV prometeu apoiar os populares no levantamento do dique e na sementeira de arroz. Aida em Safim a caravana visitou o campo agrícola de Agro-Safim.

Concluído este setor, seguiu para Ondame, onde foi realizado um grande comício, no qual o Primeiro Magistrado da Nação informou que este ano vai trabalhar em colaboração com a população no levantamento de diques para posteriormente colocar tratores em algumas bolanhas.

Na sua explicação, nesta primeira fase, não vai poder contemplar todas as bolanhas, mas sim com o tempo, todo o país vai beneficiar destas máquinas.

Segundo José Mário Vaz, nenhum país de mundo pode desenvolver sem agricultura, por esta razão, a Guiné-Bissau também deve virar a sua política para o setor agrário.

Em jeito de balanço sobre aquilo que ouviu da população, durante o percurso da presidência aberta, é triste e lamentável, são 43 anos de independência mas, até aqui, não foram criadas as mínimas condições para o povo e o país está a degradar-se cada vez mais, assim como as condições de vida das populações estão a piorar. Começando pela falta de boas escolas, hospitais, água potável, eletricidade, estradas entre outros.

“O guineense fez uma conquista heróica e gloriosa, ao combater uma grande potência na luta armada da libertação e, depois desta luta, todo mundo pensou que já se tinham criadas as condições para que assumíssemos o nosso destino, infelizmente toda esta expectativa defraudou por causa de um grupinho que pretende apoderar-se de todas as riquezas do país, deixando a maioria na pobreza estrema”, lembrou.

Mediante este facto, o Presidente da República lamentou a situação em que se encontram os antigos combatentes, que até hoje vivem na miséria absoluta, alguns morreram na luta e outros depois. Para José Mário Vaz, a morte de alguns antigos combatentes deve-se a este facto, porque viram que a causa da luta estava a ser mal conduzida.

JOMAV disse que os guineenses ao invés de servirem a pátria de Amílcar Cabral preferiram dar costas ao país, porque se não fosse isso, a Guiné-Bissau seria um paraíso no mundo.

Inversão de valores

Triste com tudo o que constatou no périplo, o Chefe de Estado disse que os valores que levaram os homens à luta armada foram todos invertidos. Na altura não havia etnia, religião, cor, raça, família, civilizado pobre ou rico e parente todos estavam unidos, mas depois surgiu um pequeno número de indivíduos que estragaram todas essas conquistas.

No entendimento de José Mário Vaz, se não voltamos a esses valores, a Guiné-Bissau não vai sair desta situação na qual está mergulhada há vários anos, para isso pediu aos guineenses para voltarem a estas qualidades.

De acordo com este Estadista, o país tornou-se refém de um grupo de indivíduos que se transformaram em burgueses, portanto esta tendência deve ser combatida, porque o país precisa desenvolver-se. E foi nesta luta pelo enriquecimento que se mataram uns aos outros.

Disse que há pessoas que não querem ver o bem do país ou a dinâmica de construir a pátria de Cabral que se está a levar a cabo, por isso, estão a usar toda a força para reprovar esta iniciativa.

JOMAV prometeu trabalhar pela união entre os filhos da Guiné-Bissau e, para isso, é preciso que haja paz e estabilidade.

“Eu posso ser assassinado mas sei que vão aparecer muitos JOMAV para lutar contra toda a força do mal e construir o país”, assegurou.

Aliciamento de militares

O Chefe de Estado denunciou que há políticos que convidam os militares para subverter a ordem constitucional, mas estes rejeitam o convite, porque entenderam que não podem continuar a ser um obstáculo ao desenvolvimento.

Segundo ele, as tropas começaram a demonstrar aos guineenses e ao mundo que respeitarão a Constituição da República e ser uma força armada republicana. “Mas há pessoas que não estão satisfeitas com a atitude dos militares. É por isso, que ninguém foi espancado, assassinado, preso, perseguido e proibido de criticar ou opinar”, esclareceu.

Todos têm que trabalhar para a promoção da paz e estabilidade, de facto sem estes elementos não vai haver investimento estrangeiro no país e nem desenvolvimento de outras atividades.

Para o número, o Estado perdeu força devido a guerra entre nós, hoje são as pessoas que têm força sobre as instituições. Vai trabalhar para reafirmação de Estado na Guiné-Bissau, para que o dinheiro vá para os cofres de Estado.

Escola para todos

Por outro lado, José Mário Vaz disse que o Estado deve criar condições e incentivar as pessoas a frequentarem as escolas, porque ela é a única arma para tirar o país desta lamaceira.

Na explicação do Primeiro Magistrado da Nação não há um único país de mundo que se tenha desenvolvido sem escola, consequentemente, “devemos apostar seriamente na educação das crianças”.

Mas para que isso seja uma realidade todos devem trabalhar para criar riquezas de forma a poder assegurar o investimento na educação e saúde.

O Presidente da República disse que depois de terminar a presidência aberta vai fazer uma reunião de balanço com todos os jornalistas para depois presidir a reunião do conselho de ministros para analisarem em conjunto com os membros do Governo os problemas levantados ao longo de todo o percurso e ver como atacá-los um por um.

Combate à delinquência juvenil

Por seu turno, o ministro de Estado e do Interior, Botché Candé, garantiu que vai tudo fazer para combater o tráfico de liamba e outros tipos de estupefacientes, combate esse extensivo aos seus consumidores.

Esta determinação foi a respeito da preocupação levantada pelos populares desta localidade.

Disse que o Governo vai cumprir com as orientações da CEDEAO em se reunir com os atores signatários do Acordo de Conakri.

Tendo agradecido a todos quantos colaboraram para o sucesso da presidência aberta, porque se de facto não houvesse colaboração seria difícil. “Posso dizer que foi positiva, na medida que não houve acidentes nem agressões físicas”, salientou.

Botché Candé disse que o que resta agora é a união entre os guineenses para construir o país e criar bases para o desenvolvimento.

Melhoria de condições

O secretário regional, Fodé Dabó, na sua curta intervenção, pediu amor e espírito de tolerância entre o povo, por outro lado, disse que tem de haver cultura de trabalho, entretanto, esta cultura deve começar com o Governo.

Por seu turno, o régulo de Biombo, Casma Có disse que ficou satisfeito com a visita do Presidente da República na região, embora tardiamente.

Informou que o governo regional trabalha com dificuldades enormes, com falta de transportes e equipamentos de escritórios. Um outro problema, a esquadra de polícias também está sem transportes para patrulha.

Pediu a intervenção do Presidente da República na recuperação das bolanhas, de forma a acabar ou diminuir com a importação de arroz e combater a aglomeração de jovens em sítios impróprios.

Também pediu a conclusão das obras da estrada que liga Quinhamel/Biombo, de modo a facilitar a circulação das pessoas e bens.

A mesma preocupação foi partilhada pela responsável das mulheres, Adja Fati, que pediu apoio na área de horticultura e criação de um banco de microcrédito e poupança, bem como a instalação de central elétrica.

Alfredo Saminanco

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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