Chefe de Estado aponta luta contra corrupção como seu principal desafio

Presidente e a esposa cumprimrntando povo de GabuO Presidente da República, José Mário Vaz, realizou de 11 a 14 do corrente mês uma visita de contacto com o povo da Região de Gabu, designada de Presidência Aberta e sob o lema: “Nô djunta mon pa muda Guiné-Bissau” (juntemos as mãos para mudar a Guiné-Bissau).

No seu primeiro discurso naquela região, o Chefe de Estado afirmou que a Guiné-Bissau mudou de rosto desde que subiu ao poder, não tendo havido nenhum tiro vindo dos quartéis. Aliás, os batalhões que outrora recebiam para as despesas 300 mil francos CFA, passaram a receber 3 milhões; e os que eram beneficiados com 400 mil, agora usufruem de 4 milhões, e assim sucessivamente. Esta realidade, segundo José Mário Vaz, contribuiu grandemente para a estabilização dos quartéis.

Segundo JOMAV, a luta contra a corrupção tem sido o seu principal objetivo desde que foi eleito em 2014. Entretanto, disse que nenhum país avança se não concentrar o dinheiro do Estado nos cofres do Estado.

O Chefe da Nação sublinhou que desde a sua eleição à Presidência da República nunca recebeu dinheiro de nenhum membro do Governo ou alguém ligado ao aparelho do Estado. Avisou aos populares de Gabu que não irá receber qualquer oferta que lhe queiram fazer, como é da tradição local. Quem tiver alguma vaca ou cabra que o mate e distribua à sua família em nome do Presidente da República.

Conforme Mário Vaz, durante o seu mandato ninguém foi morto nem torturado. Existe liberdade de imprensa e de expressão. Os direitos humanos são minimamente respeitados no país.

“ Após 43 anos de independência, humilhamo-nos e maltratamos uns aos outros. Portanto, é bom dizer basta. Quem o pretende fazer, que Deus lhe faça desaparecer do nosso seio. Este país tem de avançar, doa a quem doer. Por isso, temos de apostar na educação, saúde e infraestruturas”, esclarece.

Aspeto do comício de GabúPor sua vez, o ministro de Estado e do Interior, Botche Candé, disse que o futuro da juventude está em causa, pelo que todos devem apoiar a iniciativa do Presidente da República em acabar com a corrupção no aparelho do Estado.

Este responsável acusou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de bloquear o país, uma vez que a Assembleia Nacional Popular (ANP) não está a funcionar devido aos caprichos desta formação política que, para mais, deambulam pelo mundo fora a pedir sanções para o país.

“O interesse da Guiné-Bissau está acima de todos os outros interesses. No entanto, o PAIGC tem de abrir a ANP pois que,  se não o fizer, a juventude vai fazê-lo. O país não pode ser propriedade de nenhuma formação política”, explica Botche Candé.

Este governante exige que se respeite José Mário Vaz como garante da estabilidade da Guiné-Bissau, não sendo escolhido para alvo de insultos como constantemente se tem verificado.

O ministro da Administração Territorial, Sola N´quilin na Bitchita, juntou a sua voz à do ministro do Interior exigindo a abertura imediata da ANP para que as instituições possam funcionar condignamente. Acrescentou que a moldura humana que viu em Gabu encoraja o Presidente da República a manter muita determinação nas suas decisões.

O responsável da instituição acima mencionada disse esperar que o exemplo da população de Gabu seja referência noutras regiões onde o Chefe da Nação irá percorrer, de norte a sul do país.

Saico Umaro Embaló, régulo local, agradeceu na sua intervenção o povo de Gabu pelo acolhimento dispensado ao Presidente da República, porque se trata de uma pessoa sensível às necessidades do seu povo e do país.

O régulo frisou que José Mário Vaz tem todo o seu apoio e do seu povo, uma vez que aposta em acabar com a corrupção que tem entravado o desenvolvimento da Guiné-Bissau almejado por todos os guineenses. Aproveitou a ocasião para informar ao Chefe de Estado que na Região de Gabu não existem estradas em condições, não tem luz nem água. Agradeceu a iniciativa da abertura da emissão da Televisão Nacional na sua região, uma vez que foram muitos anos de isolamento total.

 Agricultura e o mar quase resolvem os problemas

No seu discurso no Setor de Pirada, no segundo dia da Presidência Aberta, Vaz afirmou que tanto a agricultura como o mar resolvem, por si só, os problemas do país. Entretanto, temos de reforçar o controlo dos nossos mares para, realmente, podermos usufruir do nosso pescado.

JOMAV debulhando arroz no campo agrícola Bidinga Na Nhassee“Quando regressar a Pirada para a minha reeleição, espero encontrar todas as estradas alcatroadas, porque este país tem de avançar”, disse o Presidente.

O primeiro magistrado da Nação prometeu que ninguém vai usar o território guineense para desestabilizar o país vizinho, mais concretamente o Senegal. Acrescentou que os guineenses devem apostar no trabalho, condição “sine qua non” para o desenvolvimento de qualquer Nação.

Lembrou, igualmente, que o povo deve reforçar o controlo dos bens do Estado, começando pelos administradores setoriais até à Presidência da República. Frisou que Pirada está na linha fronteiriça e carece ser bem controlado.

O Presidente da República esclareceu que em nenhuma circunstância irá derrubar o atual governo, pois que este é o único capaz de desenvolver o país. Se é para guerra, os seus membros são máquinas. E se falamos em desenvolvimento, eles são capazes.

Botche Candé, ministro de Estado e do Interior, agradeceu ao Presidente senegalês, Macky Sall, pelo apoio à Presidência Aberta, uma vez que foi possível ao povo acompanhar diretamente as movimentações do JOMAV por todo o lado para onde se deslocar.

Candé disse estar feliz pela união dos membros do governo pela causa comum, cumprindo com zelo e dedicação quanto aos ideais do Comandante em Chefe.

Na sua intervenção, o administrador do Setor de Pirada, Alberto Djamanca, pediu apoio do José Mário Vaz para a retirada da barragem colocada pelo Senegal, facto que impede a circulação de água para a região.

“Somos independentes há 45 anos mas, até então, não conseguimos fazer nada. O setor faz muita receita e não beneficia de nenhum tostão para o seu funcionamento. Temos falta de infraestruturas, escolas, transportes e água potável. “, afirmou.

O régulo Sirifo Só e o representante da juventude, Sana Camará, foram unânimes em pedir o apoio do Chefe de Estado para a melhoria de vida do povo local, porque o setor tem 15 mil habitantes, mas enfrenta problemas da falta de escolas, estradas, hospital, energia e água potável, uma vez que bebem água imprópria para o consumo humano.

Reinauguração do centro emissor

À margem da Presidência Aberta, o Presidente José Mário Vaz reinaugurou o centro emissor de Gabu, que foi reconstruído graças ao apoio da sua congénere da radiotelevisão senegalesa para instalação de materiais. O financiamento da nova infraestrutura, mais concretamente o transporte de sinal audiovisual de Bissau para Gabu, foi conseguido graças ao apoio do Fundo de Acesso Universal, sob tutela das autoridades reguladoras nacionais das TIC e da empresa de telecomunicações Orange Bissau.

Ato da reinauguração do Centro Emisor de GabúO centro tem 1000 watts de capacidade, cuja potência anterior era de 100. Abrange uma área de ação cujo raio é de 35 km, para cobrir toda a cidade e arredores.

O ato foi testemunhado pelo ministro da Comunicação Social, Victor Gomes Pereira, acompanhado do diretor técnico da televisão nacional, José Gomes.

Visita ao Batalhão de Infantaria

Nessa visita, o mais alto magistrado da Nação guineense agradeceu aos militares pela colaboração, uma vez que não houve um único tiro durante os seus três anos na Presidência da República.

Visita a batalhão de Gabú“Sei que sofrem de aliciamento de toda a ordem. Mas exorto-os a manter-se firmes nos desígnios da defesa da pátria e não admitam a compra das vossas consciências. Tudo farei para que vocês sejam incluídos no grupo de países escolhidos para missões de manutenção de paz”, referiu.

Apelou aos militares para ajudarem no controlo das fronteiras, tanto marítimas como terrestres.

 

Bidinga Na Nhassé um dos maiores campos de produção de arroz

Na sua deslocação ao Setor de Pitche, José Mário Vaz visitou o campo agrícola de Bidinga Na Nhassé, considerado um dos maiores campos de produção de arroz nacional. Tem uma capacidade de 120 hectares, mas este ano foi cultivado apenas 60. Anualmente produzem 40 toneladas de arroz, destinadas a alimentação nos quartéis a nível nacional.

Têm apenas um trator, faltando muitas outras máquinas usadas no cultivo.

Já no comício popular realizado na cidade, o Presidente de todos os guineenses pede paz e estabilidade para desenvolver o país, porque o mar, como uma das nossas maiores riquezas, são diariamente roubadas entre três e quatro mil toneladas de pescado.

Apelou os agricultores a apostarem na lavoura, porque o Senegal faz anualmente mais de um milhão de toneladas de arroz. Entretanto, disse apostar na Guiné-Bissau e no seu povo que, obviamente, serão capazes de aceitar os desafios de desenvolvimento.

No que respeita aos pedidos dirigidos à sua pessoa, Mário Vaz promete trabalhar para a melhoria de estradas, escolas, centros de saúde, bem como no impulsionamento do comércio local, concretamente o algodão, caju e mancara.

O deputado da Nação, Eduardo Mama, prometeu na sua alocução alinhar com a visão do desenvolvimento do Presidente da República, porque esse não alinha com falsidades. Elencou o pagamento de impostos como um dos caminhos para o desenvolvimento local.

Eduardo Mama afirmou que vão para a Assembleia Nacional Popular abrir as portas, porque precisam de trabalhar.

O administrador do Setor, Iaia Cassamá, enumerou várias necessidades da sua área de jurisdição, concretamente a falta de água, porque terra disponível temos para a agricultura. Se tivermos apoios, os resultados serão apresentados.

Para o representante da juventude, Sori Sidibé, o seu setor tem 240 tabancas e regista uma grande falta de insfraestruturas, tendo um único liceu apenas e sofre de falta de luz e água. Apelou ao Presidente a continuar determinado na sua luta, porque não é fácil mudar a mentalidade dos corruptos.

No último dia da visita à Região de Gabu, o Presidente Vaz manteve diferentes audiências, concretamente com o Conselho Regional de Juventude, com mulheres de diferentes sensibilidades e com os comerciantes locais.

À saída das audiências, Saico Umaro Embaló, presidente do Conselho Regional da Juventude de Gabu, afirmou que o objetivo do encontro com José Mário Vaz foi para apresentar os seus agradecimentos pela escolha da cidade de Gabu para início da Presidência Aberta, bem como para a seleção de um filho desta região para o cargo de primeiro-ministro.

Por outro lado, agradecer-lhe pela forma como está a gerir o país e, também, por usar a sua influência de magistratura para fazer funcionar a ANP.

Umaro Embaló destacou a falta de escolas técnicas e profissionais, de emprego, de água e de eletricidade, como das grandes necessidades da região.

A representante das mulheres, Sadjo Sané Handen, frisou que foram agradecer a Mário Vaz pela oportunidade e aproveitar a ocasião para lhe informar que a região sempre foi vítima, mas tem maior número de votantes a nível nacional, pelo que merecem todo o apoio.

“Não temos estradas, luz, água e os nossos filhos vivem mal. Também precisamos do microcrédito para podermos desenvolver a nossa actividade geradora de rendimento.

Sofremos de muita discriminação, mas temos mulheres com capacidade para desempenhar várias funções a nível da região, mas que nunca foram reconhecidas”, lamenta.

Amadu Cassamá, responsável da Câmara de Comércio Regional, em nome dos comerciantes informou que foram explicar ao Presidente da República a situação que os negociantes enfrentam no que respeita à subida de preço dos produtos de primeira necessidade, nomeadamente arroz, sabão, óleo, açúcar, entre outros.

Mais adiante, declarou que sabem que estes produtos sofreram de um aumento a nível mundial, mas querem que o Chefe da Nação intervenha no sentido de fazer baixar as taxas alfandegárias.

Segundo Amadu Cassamá, Mário Vaz prometeu convocar todas as partes intervenientes para, em conjunto, analisarem melhor o assunto.

Questionado sobre a não comparência dos comerciantes no novo mercado da cidade de Gabu, este respondeu que o mesmo não foi construído no local apropriado como fora indicado pelos comerciantes.

“O local onde ele foi construído é muito isolado e não apropriado a negócio. Não corresponde minimamente à verdade as informações que estão sendo veiculadas, em como os comerciantes não aceitaram ir para o novo mercado”, esclareceu Cassamá.

De recordar que antes do comício popular em Gabu, a comitiva presidencial fez uma paragem em Mafanco, arredores da cidade acima referida. Depois do comício de Pirada, visitou o centro de saúde e as instalações da Guarda Nacional. À tarde visitou o Hospital Regional de Gabu e o Centro Retransmissor da RDN e TGB.

Texto e foto: Elci Pereira Dias

 

 

 

 

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