Chefe da Redação do jornal exige meios para enfrentar novos desafios

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O chefe da Redação do “Nô Pintcha”, Seco Baldé Vieira, lamenta o facto de a Redação deste semanário, depois de 42 anos de existência, não ter à sua disposição qualquer viatura de apoio a este departamento. Os repórteres deslocam-se de toca-toca para recolher informação, o que não dignifica a profissão de jornalista.

Seco Baldé Vieira concedeu esta entrevista no âmbito das comemorações dos 42 anos de existência do jornal, criado a 27 de março de 1975.

Baldé Vieira disse que o grosso de funcionários do jornal “Nô Pintcha” é constituído por profissionais de comunicação. Informou que este semanário funciona atualmente com 12 jornalistas, incluindo estagiários, estando neste grupo apenas duas senhoras.

“Entre os 12 jornalistas que temos, 10 são repórteres ativos. Os dois outros, pela natureza das suas funções, normalmente não se deslocam ao terreno. Refiro-me ao diretor-geral, que assume a administração do jornal e o diretor de informação, que controla todos os conteúdos das notícias. Mesmo assim, de vez em quando colocam-se à disposição da Redação para cobertura de alguns trabalhos.

O chefe da Redação considerou que, pela dimensão e procura do jornal e, ainda, pela dinâmica que se pretende imprimir, 12 repórteres não são suficientes para informarmos todos os acontecimentos a tempo e horas.

“Quando temos uma agenda e pretendemos cumpri-la, sobretudo nas regiões do país, a Redação central acaba por ficar quase sem jornalistas para a cobertura dos acontecimentos que se verificam a nível da capital, Bissau”, explicou.

Afirmou que existe sempre necessidade de recrutar repórteres para manter o equilíbrio entre os planos de trabalho e os recursos humanos disponíveis, mas não cabe à Direção do órgão, enquanto instituição estatal, fazer o aumento de pessoal respeitante à administração pública, pois isso compete estritamente ao Governo, acrescentou.

O chefe da Redação lembrou que ao longo de todas as solicitações apresentadas para propor o aumento do número de repórteres, o Executivo, através dos titulares da pasta do setor, responderam sempre não haver cabimento de verbas e, por outro lado, de que a fatia orçamental colocada à disposição da Comunicação Social tem sido insuficiente para fazer face aos desafios da extensa autoestrada que constitui o setor da informação.

“Entretanto, quando os acontecimentos que requerem uma cobertura jornalista forem superiores aos recursos humanos disponíveis, somos obrigados, como é normal nas regras redatoriais, a selecionar os conteúdos em função do interesse dos nossos leitores”, explicou.

Em relação ao material de funcionamento, Baldé Vieira disse que arrisca a dizer que o jornal “Nô Pintcha” tem entre 40 a 45 por cento do material necessário para a Redação. “Embora insuficiente, mas temos computadores de mesa que nos permitem introduzir, por escrito, as informações, contudo, as exigências requerem equipamentos portáteis que, em qualquer lugar, estariam à nossa disposição, pois a difusão das notícias estão limitadas ao tempo”.

“Em relação às exigências de portáteis feitas pelos jornalistas, não vou falar disso enquanto chefe de Redação mas, sim, como jornalista. Defendo a 100 por cento estas exigências. As notícias não devem demorar na posse dos repórteres porque, atualmente, informar não é apenas informar mas, sim, informar em tempo útil e, se possível, informar primeiro”.

Considerou que as condições de informar a tempo e se possível, em primeira mão, passam necessariamente pela adoção à cada jornalista um computador portátil, uma máquina fotográfica profissional e uma pen drive internet.

Falando da inovação, Seco Baldé Vieira assegurou que a Redação já propôs à Direção-Geral uma série de ideias inovadoras já aceites e estão a ser concretizadas. A criação de quatro secções editoriais supervisionadas pelos respetivos editores é uma dessas inovações, que têm como missão identificar e levar ao público tudo o que se considera útil para o conhecimento dos nossos leitores e traduzi-lo em agenda para a Redação.

Para o chefe da Redação, o relacionamento com as fontes de informação é uma questão transversal das redações de notícias. “Lidar com as fontes é dos problemas mais candentes de qualquer órgão de informação. No caso da Guiné-Bissau, as fontes de informação fecham-se no seu casulo e dificultam o papel dos profissionais de jornais que desejam apenas desenvolver o seu trabalho”.

Vieira exortou às fontes para compreenderem que os jornais procuram aprofundar matéria informativa que requer um tratamento profissional e fidedigno. “Apelamos às pessoas para que percebam as vantagens de conservar um jornal, pois a matéria nele tratado fica registada para todo o tempo.

Disse que muitos estudantes e consultores visitam diariamente o “Nô Pintcha” para recolher matéria informativa. «O “Nô Pintcha” tem um arquivo valiosíssimo, com documentos e ilustrações que vêm ainda da luta de libertação nacional até aos dias de hoje».

Aliu Baldé

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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