Carlos Lopes aponta organização de eleições como prioridade do país

O académico guineense Carlos Lopes considera que a prioridade do país deve ser a organização das próximas eleições, para que sejam íntegras.
Em entrevista exclusiva à DW, em Lisboa, o economista guineense comenta que “neste momento, o Acordo de Conacri é uma espécie de simbolismo do impasse político na Guiné-Bissau”. Sem apontar nomes, Lopes afirma que o problema está nos atores políticos.
“Precisamos de dar muito mais espaço à juventude. Acho que os jovens têm uma visão diferente das coisas”, afirma o investigador na Universidade de Oxford. Sendo assim, pede mais humildade à classe política, que tem de ser “capaz” de reconhecer que o desenvolvimento é a prioridade.
“Se não fizermos o esforço coletivo para o desenvolvimento, vamos falhar uma viragem importante numa altura em que o mundo não está à nossa espera. A velocidade das transformações acelera e, portanto, países como a Guiné-Bissau já estão a reboque e acabam por ficar completamente esquecidos, porque já há um cansaço das crises guineenses”, diz Carlos Lopes.

O também sociólogo critica o excesso de personalização do debate político na Guiné-Bissau, o que põe em causa o interesse nacional.

“Esse excesso de personalização tem a ver com uma coisa muito clara – a falta de solidez das instituições”, sublinha. “Quando as instituições não são sólidas, fala-se mais dos protagonistas. Mas quando as instituições têm, de facto, um protagonismo e uma força maior, o papel das personalidades deixa de ser tão polarizaste.”

O académico, também ligado à Universidade do Cabo, na África do Sul, não quer entrar em polémicas, apontando o dedo seja a quem for. Realça apenas que “o sistema político – ou o processo democrático guineense – é muito deficitário, com contornos medíocres”, precisamente porque as instituições não são muito sólidas. “Não é por acaso, por exemplo, que cada pessoa tem uma visão diferente da Constituição”, refere Carlos Lopes.
O ex-secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África afirma, por último, que é importante o apoio da comunidade internacional para o fim das crises políticas, mas considera antes fundamental a mudança de mentalidade dos dirigentes guineenses.
“O debate está à volta dissovamos ou não ter eleições íntegras?”, questiona. Carlos Lopes exorta os guineenses a terem esperança no seu futuro.

ANG/DW

 

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