Botche Candé pede união e entendimento entre os guineenses

O ministro de Estado e do Interior voltou a pedir união e entendimento entre todos os filhos da Guiné-Bissau, solicitando que se ponha fim às guerras, porque o puxa-puxa não leva o país a lado nenhum.

O pedido de Botche Candé foi escutado no último sábado, na Região de Bafatá, para onde se deslocara a fim de participar na reza de Tabaski, a convite da população daquela área.

O ministro rezou por duas vezes no mesmo dia, nomeadamente nas localidades de Djabicunda (cerca de 12 km de Bafatá) e Madina Cossara (7 km da sede regional), passando pelas tabancas de Bidjine, Madina Bonco e Djaná, tendo sido recebido em ambiente de festa pelos populares.

Ao fazer o balanço da visita, aquele governante afirmou que mais de 90 por cento dos crentes da Região de Bafatá realizaram a reza no sábado. Segundo ele, a unidade entre todos os filhos da zona, os agradecimentos destinados aos guineenses em geral, com destaque para o Presidente José Mário Vaz e o Governo, foram os aspetos que mais o marcaram  nesta sua deslocação.

“Por todos os locais da região que passámos escutámos pedidos de bênçãos para o país, para o Governo e, também, para o Presidente da República. Em nome do Chefe de Estado e em meu próprio nome, retribuo idênticos votos”, referiu.

Botche Candé fez saber que os populares de Bafatá não esqueceram os trabalhos realizados pelo Presidente da República, tais como: a boa campanha de comercialização da castanha de caju, facto que ajudou a que passassem bem as festas; a preocupação pela inundação das bolanhas; os 510 muçulmanos que neste ano foram em peregrinação a Meca, entre outros. E disse que esta situação o deixou muito satisfeito.

Tristeza expressada

Entretanto, o ministro manifestou a sua tristeza pelo facto de, na Guiné-Bissau, neste ano, a comunidade muçulmana ter realizado a reza de Tabaski em dois dias separados, tendo uns rezado na sexta-feira e outros no sábado.

Por esta razão, criticou alguns líderes muçulmanos, afirmando que a missão principal de um imame, um presidente e um dirigente em geral é ter capacidade de unir a sua família para esta não se dispersar.

“Não achamos bem o que assistimos neste ano. Quando qualquer pessoa é eleita para dirigir uma organização, ela não pode decidir sozinha em nome do grupo, mas sim chamar todos os seus membros para, juntos, tomarem uma decisão. Qualquer líder que tenha este tipo de ação é merecedor da ajuda de Deus”, notou.

Devido à realização da reza em dias diferentes, o ministro do Interior garantiu que, nos próximos tempos, o Governo não vai permitir que no seio dos muçulmanos e não só, haja puxa-puxa, porque vai tomar medidas necessárias. Apesar de o Estado ser laico, acrescentou, quando uma situação provoca transtornos que nos levem a conflito, o executivo deve intervir para evitar o pior, uma vez que “ninguém, mas ninguém mesmo quer ver fogo em sua casa”.

Por outro lado, esclareceu que o Estado não vai impor a sua vontade a nenhuma organização, mas sim chamar as partes para que encontrem uma saída, tal como aconteceu no Senegal e na Gâmbia, onde toda a gente rezou no mesmo dia.

Durante esta sua deslocação à região Leste, Botche Candé, que é também alto comissário para a peregrinação, ouviu queixas sobre aquilo que a população da zona considera de má distribuição das bolsas. Disseram que há pessoas que já foram em peregrinação à Terra Santa de Meca  mais de três vezes e outras nunca tiveram esse privilégio.

Ora, sobre o assunto, Candé prometeu que, a partir do próximo ano, vai procurar melhorar a divisão das bolsas, havendo uma distribuição mais equitativa a nível nacional, onde a cada região será dada a sua quota. Disse que isso não foi possível este ano devido ao fator tempo e o receio de o aeroporto de Djeeda (Arábia Saudita) fechar.

Nesta visita, o ministro de Estado e do Interior reteve queixas da população, nomeadamente sobre o estado das estradas, da saúde, educação, bem como as inundações das bolanhas que se verificam um pouco por todo o país.

 Projeto de Cossará  “Mon na lama”

O régulo de Cossará fez um breve historial do seu regulado, tendo informado que nunca realizaram a reza numa sexta-feira, desde o tempo dos seus antepassados. Mamadu Néne Baldé pediu que o poder político na Guiné-Bissau seja respeitado, porque há coisas que deveriam ter sido pronunciadas apenas em campanha eleitoral, o que não é o caso.

Também solicitou o apoio do Estado visto que a sua zona foi confrontada com queimadas que atingiram mais de 20 hortas de caju e a inundação de grande parte das bolanhas.

No entanto, Baldé informou que, no quadro do apelo lançado pelo Presidente José Mário Vaz, desencadeou uma campanha de sensibilização que culminaria na abertura de contas bancárias de mais de 200 pessoas na área da sua jurisdição. Por isso, reclama um prémio a atribui-lo pelo Chefe de Estado.

E, no âmbito de “Mon na lama”, prometeu apresentar, dentro de dois meses, um projeto de Cossará para o efeito.

Por seu turno, os representantes das populações de Bidjine, Madina Bonco (residência do régulo de Badora) e Djana, manifestaram-se satisfeitos com a visita de Botche Candé. Pediram uma separação clara entre a política e a religião, porque entendem que faz-se política religiosa em Bissau para fins lucrativos.

Por outro lado, não esqueceram as intervenções feitas pelo Chefe de Estado na campanha de comercialização da castanha de caju e na peregrinação a Meca. Por estas e outras razões, garantem que estão ao lado de José Mário Vaz, porque não podem “ser ingratos” para quem se preocupa com os seus problemas.

Texto e fotos: Ibraima Sori Baldé

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