BCEAO quer flexibilidade no acesso das empresas aos produtos financeiros

A diretora nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) para a Guiné-Bissau, Helena Nosolini Embaló, disse que a instituição está a levar a cabo um conjunto de reformas com vista a garantir um maior acesso das empresas aos produtos financeiros. Para isso, pede a maior participação das firmas nos inquéritos que se fazem sobre a conjuntura de preços, bens e serviços.

Neste âmbito, a diretora nacional do BCEAO reuniu-se no dia 15 deste mês com as empresas públicas e privadas para uma ação de sensibilização sobre a situação das mesmas, visando fornecer informações como forma de orientar as medidas de política monetária com vista ao apoio adequado dessas firmas e garantir o normal financiamento da economia.

“Apelamos a vossa maior colaboração no sentido de procederem ao preenchimento regular e integral dos questionários mensal e trimestral que vos são submetidos, como forma de permitir ao BCEAO dispor de informações e realizar um diagnóstico exaustivo sobre a real situação das empresas”.

O apelo à colaboração foi feito aos empresários, pois, segundo a diretora, regista-se uma fraca participação das empresas nos inquéritos. Porém, Helena Embaló espera uma maior cooperação no novo dispositivo de inquérito que vai entrar em vigor a partir de janeiro de 2018.

Helena Embaló lembrou que, com base em informações recolhidas nos inquéritos, um conjunto de medidas foi recentemente adotado pelo Comité de Política Monetária para facilitar o acesso ao financiamento por parte de pequenas e médias empresas e pequenas e médias indústrias.

“O BCEAO está ciente de que, para atingir o seu objetivo de estabilidade de preços, é necessário harmonizar medidas que visem agir sobre a produção e emprego da parte da oferta; e as que garantam o poder de compra dos consumidores, da parte da procura”, sublinhou.

Se houver empresas que não colaboram, por temerem a fuga de informações, a diretora assegurou que as comunicações fornecidas ao BCEAO são tratadas com confidencialidade e visam, tão-somente, o fim a que se destinam. 

Crescimento económico 

Na reunião com os bancos comerciais no dia 17, Helena Embaló disse que o BCEAO prevê uma taxa de crescimento económico na ordem dos 6,7 por cento para o ano de 2017, sendo a comercialização da castanha de caju o principal fator de elevação do rendimento nacional.

A diretoria nacional do BCEAO manifesta-se preocupada com a forte dependência da cultura de caju para do crescimento económico da Guiné-Bissau e, por isso, falou da necessidade de diversificação na área da produção.

Outra preocupação da instituição é que, segundo a diretora, quase todo o financiamento da economia guineense se assenta no sistema bancário. Alertou às autoridades do país que a contribuição do setor da microfinança é marginal, enquanto a sua dinâmica podia ser uma resposta para as pessoas que, devido aos fracos recursos, não têm acesso aos bancos.

Quanto à inflação, o Banco Central revelou que ela se situa abaixo dos três por cento, o que se pode considerar uma situação positiva.

Embaló revelou algum declínio no financiamento dos bancos à economia nacional devido aos riscos temidos pelas instituições bancárias relativamente aos clientes devedores.

Por seu lado, Rómulo Pires, em nome dos bancos pediu ao Governo para abranger ainda mais o processo de bancarização das operações financeiras de forma a permitir aos bancos estarem à altura de financiar os operadores económicos, enquanto impulsionadores do crescimento da Economia.

Texto foto: Aliu Baldé 

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