Associação de consumidores demarca-se do acordo entre Governo e locateres

Foto ACOBESO presidente da Associação de Consumidores de Bens e Serviços (Acobes) disse ontem, dia 7, que o acordo de aumento da tarifa de importação de mercadorias não vincula aos importadores, retalhistas e nem tão pouco aos consumidores guineenses.

Fodé Carambá Sanhá, que falava em conferência de imprensa em jeito de reação ao acordo rubricado no passado dia 1 de fevereiro entre o Governo e Associação dos Transportadores Terrestre, e que fixa em sete milhões de francos CFA cada frete de importação de mercadorias, disse que o referido acordo apenas vincula o executivo e os transportadores de mercadorias, conhecidos como locateres.

“Por isso, os efeitos que podem advir do referido acordo, ou seja, a subida do preço de desalfandegamento das cargas de 4,5 milhões para sete milhões de francos CFA deve incidir somente no lucro dos locateres que, por sua vez, deve continuar a respeitar a tabela aplicada aos seus parceiros de importação e não deve afetar os retalhistas e aos consumidores”, explicou.

Para Fodé Carambá Sanhá, as ameaças de aumento de custos de gêneros alimentícios e produtos de higiene pessoal e coletiva devia levar em conta aspetos do equilíbrio de rendimento per capita dos consumidores, a dotação de abonos de família aos filhos dos trabalhadores, a cobertura dos vulneráveis com o regime de assistência médica e medicamentosa.

O Governo, de acordo com o presidente da Acobes, devia levar também em conta o período particular que o país está a viver, bem como o salário mínimo “desumano” praticado até aqui na Guiné-Bissau.

Para Fodé Sanhá, caso houver tentativa de aumento de bens alimentícios em consequência do acordo assinado entre os transportadores e o Governo, haverá descontentamento generalizado que pode levar a uma manifestação social sem precedente na Guiné-Bissau, porque os trabalhadores já não têm espaço para apertar o cinto.

“O que estamos a assistir neste país é a política de mediocridade para com as questões sociais porque há tantas opções oportunas para fazer aumentar receitas sem necessidade de enveredar por via de sufocar a vida das populações carentes que precisam do mínimo para a sua sobrevivência”, disse.

Carambá indicou, entre essas opções , o alargamento da base tributária, a eliminação dos subsídios de salários de conveniências política, o controlo de agentes fiscais e de receitas de Estado, a implementação da cobrança de impostos profissionais, a adequação dos conselheiros e assessores políticos, despartidarização do aparelho do Estado e o saneamento de administração pública com os funcionários sem tarefas concretas.

ANG

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